Arquivo da categoria ‘Diálogos’

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Just Breathe

Setembro 28, 2009

Que tal essa idéia ? Vamos escrever as canções antes de nós as gravarmos. Foi isso que o Pearl Jam fez no novo álbum recém lançado em 20 de setembro de 2009. Quanto a seus significados o próprio Eddie confessa que as canções não possuem apenas um  significado, não necessariamente significam isso ou aquilo, elas simplesmente não precisam ter um sentido hérmetico, fechado
em si mesmo.

Não havia nenhuma antecipação do que seria feito até início das faixas. Apenas cada pedaço foi sendo colocado e acontecendo essa estranha quimica que se manifesta no álbum.

Mike McCready explica o título do disco. “Backspacer’ é uma referência à tecla das antigas máquinas de escrever. Tem a ver com voltar, olhar para trás e ver a sua vida em retrospectiva.” Afinal de contas, as máquinas de escrever de antigamente possuíam nos anos 40 ou 30 a palavra backspacer em vez de Backspace.

Atualmente nem mais isso tem, apenas uma seta indicando pra esquerda. Simplesmente delete e não olhe para seu erro, esqueça dele. Mas, na máquina de escrever com backspacer, a pessoa tinha que perceber o seu erro.

Neste álbum há uma disposição retrospectiva do que foi gravado, onde o Eddie está olhando tanto para seu passado, como para seu presente.

1. Gonna See My Friends
(Vedder)

Do you want to hear something sad?
we are but victims of desire
I’m gonna shake this day
I wanna shake this day before I retire

Fugindo a regra o Pearl Jam fez um álbum alegre. Afinal de contas, o Bush, já não está mais no poder. Gonna See my Friends poderia ser uma dessas músicas inspiradas no ex-presidente… Afinal de contas, Bush os inspirou em excelentes músicas e pelo menos 2 discos. A música que abre o álbum é contagiante, seu solo inicial no melhor estilo Beach Boys lembra a aura surfista bem tropical de Wipe Out.

Sem falar, que é um claro indício da passagem de uma fase angustiante do Pearl Jam. Como diz a última estrofe vamos agitar este dia antes que eu me aposente. Como disse o Eddie: “As vezes quando você fica velho procura-se o focu para manter sua vitalidade”. Há uma clara prova que é possível manter a energia de anos atrás.

2.  Got Some
(Vedder, Ament)

Every night with the lights out, where you gone?
What’s wrong
Overtime you can try but can’t turn on your rock song

Got some if you need it

A música com um groove new wave dos anos 80. Eddie a chama “Drug Song”. Mas foi feita pensando sobre ir ver um amigo que está com o vício das drogas, mas se descobre que o traficante está vendendo uma ótima música de rock. Sua entrada é com um solo ao melhor estilo do Mike, contudo o que dá o tom da música é a bateria do Matt, soando mais forte.

3 The Fixer
(Vedder, McCready, Gossard, Cameron)

When something’s dark, lemme shed a little light on it
When something’s cold, lemme put a little fire on it
If something’s old, I wanna put a little shine on it
When something’s gone, I wanna fight to get it back again

When something’s broke, I wanna put a bit of fixing on it
If something’s bored, I wanna put a bit exciting on it
When something’s low, I wanna a little high on it
When something’s lost, I wanna fight to get it back again

A canção da esperança do Pearl jam. Inspirada em pessoas que sempre querem melhorar algo. Serviu de inspiração para todo o álbum. Segundo Stone a canção mostra como a banda trabalha e como conseguir lidar com as contribuições de todo mundo. Se coloca toda a fé em Eddie o diretor artistico da banda que termina por organizar todas as colaborações.

EU confesso que demorei a me acostusmar com essa música. Apesar, de ser o primeiro single achei estranho, diferente de tudo que o Pearl Jam vinha fazendo. Como também, não gostei do Yeah Yeah em seu refrão. Entretanto, Pearl Jam é Pearl Jam e hoje é um hit que eu adoro, com suas guitarras e o próprio ímpeto que a banda dedica a essa canção.

Comentários sobre a música:

The fixer é um grande exemplo. Você ouve sobre a personalidade do Eddie na letra e assim consegue ter uma visão, que muita gente não tem dele, tanto quanto otimista e divertida letra e melodia.

“We used to think with music that we could save the  world, but now we’re old enough and wise enough to know that all we can change is our community.”

“It can feel like a curse, because it makes you push yourself to make things better and not allow them to be easy. That’s how you get the good stuff.”

4 Johnny Guitar
(Vedder, Gossard, Cameron)

I hide my disappointment
Cause for years i had been hoping
That when she came,
She’d be coming just for me

Outra canção que mostra bem o desejo de Esperança que foi tomado o Pearl Jam. Sem dúvida há uma ironia, pois apenas dizer que as coisas virão com o seu tempo, ou “tudo ao seu tempo” é simplesmente nomear o tempo como diria Martin Heidegger.

Acredito que a ironia está no final, pois esconder os desapontamentos acreditando na esperança e quando esta chega ser unicamente por causa de quem acreditava é díficil de crer. Gosto muiiiiito do seu refrão e da parte final me deu a idéia de colocar as coisas em perspectivas.

Vedder was inspired to write the lyrics for “Johnny Guitar” after viewing a collage of album covers that is pasted on the bathroom wall of the band’s rehearsal space. He noticed the album cover for Johnny “Guitar” Watson’s 1979 album, What the Hell Is This?, and imagined a man who becomes attracted to one of the various women on the cover and then wonders why this woman would rather be one of Watson’s many girlfriends instead of his only one.

5 Just Breathe
(Vedder)

Yes I understand that every life must end, aw huh
As we sit alone, I know someday we must go, aw huh
I’m a lucky man to count on both hands
The ones I love..

Some folks just have one,
Others they got none, aw huh..

Did I say that I need you?
Oh, did I say that I want you?
Oh, if I didn’t now I’m a fool you see..
No one know this more than me
As I come clean

Pronto, neste momento começa as três faixas que dão personalidade ao BackSpacer. Mesmo reconhecendo The Fixer como inspiradora, essas três canções colocadas nesta ordem fazem do BackSpacer um albúm com presença suficiente para dizer “vim, vi e estou vencendo”. Just Breathe é a canção mais doce do álbum, feita com a base de Toulome presente na trilha sonora de Into the Wild (Na natureza Selvagem).

É impossível ouvir apenas uma vez é apaixonante, se não for amor a primeira vista, vai ser a segunda e quiçá a terceira, pois na terceira vez já há serotonina pra dar e vender. O Pearl Jam inova no momento em que a coloca como um dedilhado sensacional, nunca feito antes. Há uma influência folk muiiiiito bem vinda ao Pearl Jam. E os violinos dão um colorido idiossincrático a faixa tornando-a sinestésica.

Eddie Vedder a descreve como a canção mais próxima do maior amor que já se teve. Dizendo que seu sentido paira sobre os acontecimentos mais felizes que as pessoas vivem, quando elas deveriam sentir o momento e respirar por um minuto. Sem sombra de dúvida uma faixa que emociona e entra de vez no setlist da banda por ser adorada, sem falar que seu estilo lembra Thumbing My Way (back to heaven). Em Just Breathe estão abertas as portas do céu.

6 Amongst The Waves
(Vedder, Gossard)

If not for love i would be drowning
I’ve see it work both way, but i am up

Riding high amongst the waves
I can feel like i
Have a soul that has been saved
I can feel like i
Put away my early grave

Gotta say it now
Better loud
That too late

Remember back the early days
When you were young & thus amazed

Essa música me lembra de alguma forma Marker in the Sand do último album. Se em Marker in the Sand há a revolta com as coisas acontecendo de uma forma inusitada e sentindo o averso das coisas caindo, Amongst The Waves revela o alívio por ter se sustentado no amor e como valeu a pena seguir o próprio caminho. Sempre lembrando os dias do ínicio quando se era jovem e
mais deslumbrado com as coisas.. Também me lembra Marker in the Sand, porque nesta o ritmo é de um tipo durante os versos e outro completamente diferente durante o refrão, fato presente em Amongst The Waves.

Para o Pearl Jam a canção é sobre ondas, surf e o amor. Não há nada que seja sempre bom. Como também, para se escrever algo se tem que nadar para fora de certas águas. O que denota ser uma canção voltada a colocar as coisas em perspectiva.

‘Everything flows amongst the waves’. It’s surfing, a time when there is something liberating and a person knows they are alive. You have to remember that human beings are made up of about 80% water… Every time I go to the shore I feel like a newborn.

7 Unthought Known
(Vedder)

Feel the path of every day…which road you taking?
Breathing hard… & making hay… yeh this is living…

Feel the air up above… a pool of blue sky…
Fill the air up with love… black with starlight…..

Feel the sky blanket you… w/gems & Rhinestones…
See the path cut by the moon.. for you to Walk on…
For you to walk on…

See the path cut by the moon.. for you to walk on…
See the waves on distant shores… anything your arrival…

Dream the dreams of other men… you’ll be no ones rival…
Dream the dreams of others then… you will be no ones rival…
You will be no ones rival…

A distant time… a distant space… that’s where we’re living…
A distant time… a distant place… so what you giving?…
What you giving?

Uma canção com montanhas e vales. Inspirada numa conversa sobre o cérebro, os seres humanos e a forma como nós e os nossos filhos nos relacionamos com diferentes ambientes. Sabe aquelas pessoas que fazem planos, imaginam uma vida completamente diferente para si próprios, mas esquecem como isso pode ser construído? Sem dúvida uma balada encorajadora em pegar ar e sentir o que está a sua volta, a contemplação do simples e sempre efetivo.

Com a parte que fala de sonhos onde afirma:

Sonhe os sonhos de um outro homem ou sonhe os sonhos dos outros e não se irá ser o rival de ninguém…

Lembrei de um diálogo do Ramiro Cadore no último capítulo da novela Caminho das Índias. Quando ele apoiava o casamento do Tarso com a Tônia. E ele dizia: é melhor eles seguirem o próprio caminho, descobrirem que erraram do que colocar a culpa em nós que quisemos escolher por eles. Fica a lição por sempre querer decidir e assumir a responsabilidade por isso… é melhor viver pelos próprios sonhos e descobrir que se pode estar errado, do que viver das opções e erro dos outros, definitivamente não se está vivendo.

Como diz a música sinta o caminho de todos os dias, que rota você está tomando? Respire fundo, faça hay… é vc está vivendo… E se vc contempla o simples poderá sentir uma piscina que o seu azul fornece como também a distância no tempo, como no espaço e onde se está vivendo.

8 Supersonic
(Vedder, Gossard)

Yeah i been dreaming of getting along
Now i’m awake, dreaming keep it on keeping on
I catch a break, then a punch to the head
I smile big wih a toothless grin

Supersonic gone & took my soul
I caught the rhythm but the clock was slow yeh
Supersonic, truth be told
I don’t need you to live, but i’ll never let you go

Supersonic é a prova da influência dos Ramones sobre o Pearl Jam. Sendo puro punk Rock trata dos adoradores da música, o seu poder e aquilo que ela pode fazer por ti. Soa agridoce para mim, ainda preciso me acostumar com seus detalhes e entonações…

9 Speed of Sound
(Vedder)

Yesterdays, how quick they change
All lost and long gone now

It’s hard to remember any thing
Moving at the speed of sound
Moving with the speed of sound

And yet I’m still holding tight
To this dream of distant light
And that somehow I’ll survive

De acordo com Eddie Vedder é a música tirada da perspectiva de um homem que ainda está sentado num bar após todos irem embora e aduz que é uma música triste. É uma balada triste constituindo uma exceção ao albúm. Acredito tratar de uma canção sobre pessoas que não gostam de mudanças, pois abre afirmando que nos dias passados o quão rápido eles mudam, tudo havia sido perdido se movendo a velocidade do som.

Apesar de ser triste é uma canção calma no ritmo de uma balada, como se fosse a volta a uma fase mais calma depois da intensidade da onda de Supersonic. É pautada com riffs de guitarras e um dedilhado de fundo em algumas partes que dão carisma e personalidade a música.

10 Force of Nature
(Vedder, McCready)

One man stands the edge of the ocean
A beacon on dry land
Eyes upon the horizon

In the dark before the dawn

Seu título original era Distant Planet. As tônicas dessa música são suas guitarras que iniciam, assumem uma progressão e voltam a soar como no ínicio. Não é uma das minhas favoritas no álbum, mas há partes consideráveis quando assumem uma sonoridade mais fluída com um tempod e bateria bem familiar nessas bandas de garagem… Mas, o solo do Mike é considerável e impossível de pelo menos não gostar dessa parte.

11 The End
(Vedder)

What were all those dreams we shared
Those many years ago?
What where all those plans we made
Now left beside the road?
Behind us in the road

More than friends I always pledged
Cause friends they come and go
People change and does everything
I wanted to grow old
This one too grow old

My dear
The end
Comes near
I’m here
But not much longer

Com um dedilhado que até Just breath não era comum na música do Pearl Jam The End é um resquício de Into the Wild e Big FIsh juntos. A temática pode ser resumida nessa frase: “A unica constante é a mudança”. “The End” foi descrita como uma canção de um amor sofrido. Para mim é a canção que desfaz o sonho e o confronta com a realidade. Ao falar dos planos feitos para a vida e que foram deixados de lado da estrada e ficaram para trás.

Sua segunda estrófe é profunda e forte quando declara o desejo de ser mais do que amigos. Pois, amigos sempre vão e vem. Como também trata das mudanças que as pessoas realizam em suas vidas depois de algum tempo.

Está presente a temática do amadurecimento iniciada em Man of the Hour quando confronta as histórias fantasiosas do pai e o ceticismo do filho que sempre está contestando algo, como também o desenvolvimento da liberdade de pensar e fazer o próprio caminho em Into the Wild. Tudo isso serviu para inspirar The End, que apesar do título não tem a pretenção de encerrar, mas sim incorporar de vez a filosofia de vida “A unica constante é a mudança”.

E encerra com um anúncio de uma mudança que se chama despedida. Deixando um gosto de quero mais, já que o álbum possui apenas 11 faixas e aproximadamente 33 minutos, muito pouco para quem espera a cada 2 anos por um álbum do pearl jam.

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Don’t Look Back into the Sun

Março 31, 2009

Cirurgiões são problemáticos. Somos açougueiros.

Açougueiros problemáticos, felizes com uma faca.

Cortamos as pessoas e seguimos em frente.

Pacientes morrem sob nossos cuidados e seguimos em frente.

Causamos traumas. Sofremos traumas.

Não temos tempo para pensar em como o sangue,

morte e as besteiras nos faz sentir.

Não importa se somos fortes.

Traumas sempre deixam uma cicatriz.

Nos seguem até nossa casa.

Mudam nossas vidas.

Traumas derrubam a todos. Mas talvez essa seja a razão.

Toda a dor, o medo e as besteiras…

Talvez, viver isso é o que nos faz seguir adiante.

É o que nos impulsiona.

Talvez precisamos cair um pouco,

para levantar novamente.

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The Great Defector

Março 19, 2009

Todo cirurgião que conheço tem uma sombra.

Uma nuvem negra de medo e dúvida que segue,

até os melhores de nós, à sala de cirurgia.

Fingimos que a sombra não existe.

Esperando que se salvarmos mais vidas…

aperfeiçoarmos técnicas difíceis…

corrermos mais rápido uma maior distância,

ela vai cansar e desistir de nos seguir.

Mas é como dizem…

Não pode escapar da sua sombra.

Todo cirurgião tem uma sombra.

É o melhor que tem?

E a única maneira de se livrar da sombra…

é apagar as luzes.

Parar de correr da escuridão, e encarar seus medos.

De frente.

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Deixa, deixa, deixa. Eu dizer o que penso dessa vida Preciso demais desabafar…

Janeiro 11, 2009

Todos temos direito a pelo menos um desejo por ano,

quando sopramos as velas do nosso aniversário.

Alguns ousam desejar de outros jeitos.

Com cílios…

Fontes…

Estrelas cadentes.

E uma vez ou outra…

um dos desejos se realiza.

E depois?

É tão bom quanto esperávamos?

Ou deitamos no calor da nossa felicidade…

Ou…

Lembramos que temos uma lista de desejos esperando.

Não desejamos coisas fáceis.

Desejamos coisas grandes…

Coisas ambiciosas…

fora de alcance.

Desejamos por que queremos ajuda…

e estamos assustados…

e sabemos que talvez pedimos demais…

Ainda desejamos…

Porque…

às vezes…

eles se realizam.

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Time is on my side, Yes it is…

Dezembro 30, 2008

Um homem como todos os demais, incapaz de parar o tempo. O curioso caso de Benjamin Button é a história de um viajante sobre as pessoas e lugares que ele encontra ao longo do seu caminho, os amores, as perdas, as buscas da alegria da vida, das suas tristezas e da morte dos que estão a sua volta.

Sobretudo, o conto versa sobre o que realmente dura além do tempo? Nada dura para sempre. Mas o que importa na vida tem sua intensidade e seu momento. A idéia do filme é genial. Criar um ser humano já nascido velho. Em sua infância Benjamin desfruta de toda compreensão da experiência e dos erros dos que possuem mais vivência. E a medida que o tempo vai caminhando, há um rejuvenescimento do personagem. No final da vida, ao em vez de lamentar não ter vivido tudo que podia, poder de fato realizar a experiência vivida com a força da juventude.

Toda essa originalidade subverte a idéia da frase que me faz ter a angústia do tempo e do reconhecimento de quão limitado sou: “Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse” (Henri Estienne). A mudança ocorre na partícula se, ao extirpar os limites da incapacidade humana. Seja em que função sintática for condicional, apassivadora, subordinativa, ou não a frase sem esta angústia deixa a compreensão mais agradável e a vontade para significar.

Sem esse “se” a frase ganha uma nova sintaxe. A idéia do filme faz do “se” o sentir do jogo da linguagem do ser. Como no Teatro Mágico: “Sintaxe a vontade” perante o tempo vivido. Há no filme uma metáfora viva criadora de seu próprio significado confortador, no melhor estilo de Paul Ricoeur.

A metáfora da juventude vivida sem sua inexperiência, mas com sua garra de sempre poder expandir e vivenciar novos horizontes, depois da passagem do tempo. É como ter mais um Ás na manga para enganar o tempo, não só se restringindo à ter filhos e poder fazer deles algo melhor do que fomos. É poder cantar Amor pra Recomeçar pensando que o cedo não se resumi a um início:

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois, toda idade tem
Prazer e medo…
Se no filme No Country for Oldmen (Onde os fracos não tem vez) o tempo foi revelado na arte revelando a perseguição inautêntica perante o ser humano. The Curious Case of Benjamin Button é a forma mais ilustrativa do que consta em Tempo e Ser de Martin Heidegger: “Ser é tempo”. A história desvela o quão importante é reconhecer e respeitar o próprio tempo. Não é apenas dizer tudo tem seu tempo. Dizer isto, resume-se a nomear o tempo e nada mais.

Em Tempo e Ser, Heidegger diz:

Nomeamos o tempo, quando dizemos: “Cada coisa tem seu tempo”. Isso quer dizer: cada coisa, que sempre é a seu tempo, cada ente vem e vai em tempo certo e permanece por algum tempo durante o tempo que lhe é dado por parte. Cada coisa tem seu tempo.”

A história faz o sentir do tempo de oportunidades legadas pela vida. É dizer, o tempo do kairós. O filme tem um trecho de grande significação. Como Benjamin não se permitiu acompanhar a história de sua filha, deixou para ela o mais importante aprendizado obtido desde a época de seu nascimento.

A sua existência ensina o fazer perceber o que realmente importa na vida. O valer a pena não pode ser conciliado com o tempo de Cronos. Pois, as oportunidades sempre se pautam em um acontecer do kairós. Ser quem realmente se quer ser. Não importa apenas ser no interior de sua personalidade, mas sim externar isso de modo a reconhecer e agir como tal.

O filme revela nunca ser tarde para começar novos projetos deixando as tristezas em uma agenda que não se abre mais. Importa ter mais energia e amor pelo feitos vividos, do que se preocupar com contigências. É possível a cada experiência vivida de tempos em tempos se possa mudar o que se acredita, mas há o livre arbítrio para permanecer igual. A verdade é que diante de assuntos da vida não há tantas regras quanto se imagina. Talvez, regras mesmo sejam importante para a convivência, mas não para o viver.

A grande mensagem do filme aborda a preocupação tão constante em alguns, a perda de tempo. Nunca se perde tanto quando dedica-se a algo que deu errado. O tempo é um dos bens mais preciosos do ser humano. Mesmo assim, até mesmo na sua perda que haja a possibilidade de fazer e dar o melhor de si mesmo. Talvez, esta seja a grande diferença a ser feita para dar intensidade e relevo as marcas deixadas pelo tempo. Como Vinícius de Moraes em “soneto do amor”: Mas que seja infinito enquanto dure. Neste caso que seja intenso para marcar.

(The Curious Case of Benjamin Button)

For what´s worth it is never to late, or in my case to early
Be who ever you wanna be
There´s no time limit start whatever you want
You can change or stay the same
There are no rules to this thing
You can make the best of waste time
I hope you make the best of it
I hope you see things that startle you
I hope you feel things that you never felt before
I hope meet people with different point of view
I hope you live a life you proud of
if you find that you´re not, i hope you have strength to start all over again…

Para o que vale a pena nunca é tarde demais, ou no meu caso cedo
Seja quem você quiser ser
Não há um limite no tempo para começar o que você quer
Você pode mudar ou permanecer o mesmo
Não há regras para isso
Você pode fazer o melhor da perda do tempo
Eu espero que você faça o melhor disso
Eu espero que você veja coisas que te surpreendam
Eu espero que você sinta coisas que você nunca sentiu antes
EU espero que você conheça pessoas com diferentes pontos de vista
Eu espero que você viva uma vida que te orgulhe
E se você descobrir que não, espero que você tenha forças para começar tudo denovo…

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This time, this time, Turning white and senses dire…

Dezembro 21, 2008

Ensaio Sobre a Cegueira (BlindNess)

I dont wanna know what you look like…
And how can we know which other.
I know that part inside of you with no name
and thats what we “are”, right ?!?!?

Eu não quero saber como você se parece…
E como poderemos nos conhecer.
Eu conheço aquela parte dentro de você sem nome
E isto é o que nós “somos”, certo ?!

O que realmente importa ver?
Ao som de: Beirut – My Family’s Role In The World Revolution

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At night it was the bright of the moon with me Time is just floating away Oh rainy day, come ’round But i love when you come over to the house I love it when you come ’round to my house…

Novembro 24, 2008

In The Midnight Hour.

Quando você é criança, a noite é assustadora

porque há monstros escondidos embaixo da cama.

Quando você cresce, os monstros são diferentes.

Dúvida.

Solidão.

Arrependimento.

Embora, seja mais velho e mais inteligente,

ainda se acha com medo do escuro.

(…)

Dormir.

É a coisa mais fácil de fazer. Você apenas…

Fecha os olhos.

Mas, para muitos de nós…

O sono parece estar fora de alcance.

Queremos, mas não sabemos como conseguir.

Mas quando enfrentamos nossos demônios,

enfrentamos nossos medos…

E recorremos ao outro por ajuda…

A noite não é tão assustadora, porque…

Percebemos que não estamos sozinhos, no escuro.

De tempos em tempos somos obrigados a decidir nossa vida. Escolhemos nossos amores, nossos amigos, a respectiva profissão e o que iremos fazer pelos próximos anos. Hoje ouvi a seguinte frase: “Não é fácil decidir a vida.”

De forma alguma o é. Pois, a vida trata de dar as suas voltas, e cada decisão tomada implica em levar prós e contras, escolher caminhos dos quais nem sempre se é como se imaginou que fosse. Nos vemos enfrentando dúvidas, arrependimentos por decisões tomadas e como se não bastasse ninguém pode decidir a vida de outra pessoa apenas estar ao lado para dar suporte. Ao tomar decisões tomamos sozinhos, somos nós mesmos que iremos enfrentar as consequências.

Dúvidas ao tomar decisões existe e sempre existirá. O que não pode acontecer em hipótese alguma é o caos instituir sua existência. Pois, o caos convidará a dúvida para dentro de tudo que se acredita e se pode fazer lutar. Durante estes dias, não existe monstro maior do que este. Duvidar que algo vai dar certo é natural ninguém possui o dom da predicação e da adivinhação. Mas ninguém pode perder o poder de reagir, de lutar e ter fé. Sem isso não há como sair do inferno das dúvidas.

Algumas vezes batemos de frente com essa luta sem saber que caminho tomar. Alguns não amadurecem, continuam a fazer escolhas inconsequentes das quais qualquer lógica é incapaz de aferir um significado plausível diante de uma compreensão mudana. Ou se conseguiram fazem de tudo para retomar o caminho de quando ainda não tinha tanta experiência. e responsabilidades, mas querem trazer consigo as conquistas propiciadas pela experiência. Alterna-se entre a vivência da independência com suas responsabilidades e o início dos 20 e poucos anos de total pouca responsabilidade, duas fases que nãos e coadunam e não permitem interferência uma da outra. Não é fácil deixar esta fase de transição por tudo que ela representa em suas possibilidades.

Os medos da infância se parecem em muito com o a fase adulta só que com uma nova roupagem. Não mudam em nada. Fernando Anitelli é muito feliz quando diz na música “EU não sei na verdade quem eu sou”: Velhinhos são crianças nascidas faz tempo. Só porque nosso sistema de recompensas neural na fase adulta já não é tão grande quanto na infância, o que coloca tudo numa nova perspectiva, não significa que os nossas possibilidades, em lidar com o que é humano, mudaram.

Como concurseiro tenho aprendido muito com as possibilidades. Cada prova é uma prova. Ricas em possibilidades para deixar os velhos monstros para trás. Cada dia de prova é uma experiência única durante as 12h do dia enfrento a maioria dos meus demônios que me assolam durante toda a preparação. O mais curioso é que anseio por tudo isso.

Na verdade cada noite é rica em possibilidades. Digo a noite, não por haver silêncio, ou render mais. Mas sim, pois no amanhecer que anuncia o dia ao iluminar a vida, as relações nela presente,
revela as escolhas feitas, as falhas naquele plano que parecia ser imbatível e até aonde tudo isso foi. E por incrível que pareça a única coisa que realmente arrefece este embate é uma boa noite de sono. Descansados se tem força para enfrentar novos desafios, sobretudo as quebras nas expectativas nos planos que foram traçados durante a noite.

Problema mesmo, é quando o dia não é suficiente para conter suas próprias preocupações. Sem pedir licença invade o meio da noite, o único momento em que se pode sentir que todas as coisas são possíveis. De fato dormir é algo tão simples, mas quando suas preocupações te tiram a segurança conquistada e deixa sua própria casa as coisas ficam realmente difíceis. O sono parece estar fora de alcance e promove sempre um embate entre o que realmente importa na hora de conseguir decidir a vida.

Talvez, por tudo isso seja muito difícil decidir a vida. Mas, hoje é uma nova noite cheia de possibilidades. Quem sabe, se não é o momento em que sendo tudo possível se possa ser como se é e reconhecer-se como tal.
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Comes and Goes (In Waves)

Outubro 28, 2008

Sou uma pedra…

Sou uma ilha…

Esse é o mantra de quase todo cirurgião que já conheci.

Gostamos de pensar que somos independentes.

Solitários. Dissidentes. Que tudo que precisamos

para fazer nosso trabalho é uma S.O., um bisturi e um corpo.

Mas a verdade é que nem o melhor consegue sozinho.

A cirurgia, como a vida, é um esporte de equipe.

Eventualmente, você tem que levantar do banco e decidir:

em que time você joga?

O problema de escolher times na vida real

é que não tem nada a ver com a escolha da aula de ginástica.

Ser a primeira escolha pode ser aterrorizante.

E ser escolhido por último…

não é a pior coisa do mundo.

Então assistimos da lateral do campo.

Apegados ao nosso isolamento.

Pois sabemos que assim que saímos do banco…

Alguém chega e muda o jogo completamente.

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But if you don’t dream big what’s the use in dreaming If you don’t have faith there’s nothing worth believing

Agosto 25, 2008

- Lena, What was most difficult today (18.08.2008)? - Probably keeping my emotions under control. I wanted to quickly get into battle, but like always, I had to wait a bit longer the other participants to come in. The anticipation was a little wearisome. But in other respects – everything was just wonderful!

- Describe all three of your jumps at 5.05.
- On the first attempt the standards were a little too far back, I didn’t get on the pole strongly, barely touched the bar with my chest – and it fell. On the second, I ran poorly, extended my steps, the pole stood up – and I basically fell flat on the bar. But on the third, my coach Vitaly Afanasevich Petrov and I adjusted the standards, adjusted my run, I took a deep breath, went – and made it.

- Was everything as simple as you’ve described?
- Well, how simple… Only the tale is simple. I can’t convey what was going on inside me. Inside everything was boiling, I was quivering outside, but I tried to control myself, and not show what was happening.


- Which of your three Olympic Games was the most difficult? - I can’t say that they were difficult… In Sydney in 2000, I didn’t even get past qualifications, although I went there for a medal (laughing). In Athens in 2004, my chances for victory were put at perhaps 80 percent to 20. Some still thought another sportswoman would win. But in Beijing 100 percent of the people were already certain of my victory; no one had any doubt. And psychologically – entirely psychologically – these Olympics were the most difficult. Because I’ve became, for example, more widely recognized. Here I don’t go around in the Olympic village. I’ve sat in my room from August 14th until today.


- What thoughts were going through your head today, when it was in the air at five meters? - So, yet another record, the 24th! I was already counting (laughing). Although, of course, today’s record is quite unique. Winning the Olympics with a world record – this is so cool!

- At this time you didn’t cover yourself with a towel, but with a blanket. Wasn’t it hot?
- Oy, very hot. But it helped.

- What were you thinking about at this point?
- Nothing extraneous. I tried to gather all my strength into a fist and remember the jumps I’d done in Rome and Monaco – for the world records.


- You’ll keep jumping until London-2012? - Yes, of course. This is my goal, at least. I want to win in London with a world record – and leave with a clear conscience. (But if you don’t dream big what’s the use in dreaming If you don’t have faith there’s nothing worth believing)

(source http://www.allsport.ru/index.php?id=18037)

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Nesse jogo de reflexos a certeza me distrai… part 2

Agosto 24, 2008


A linha que divide a maldade da franqueza, nas nossas relações cotidianas, se chama intenção. Quais são nossas intenções por detrás das palavras aparentemente sinceras que proferimos?
Ajudar o outro? Abrir seus olhos? Mostrar-lhe um novo ponto de vista? Ou apenas humilhar o outro para disfarçar nossa própria pequenez? Ou tudo isso ao mesmo tempo? Com um naco de reflexão, aposto que manteríamos nossas bocas bem mais fechadas.

Stella Florence (http://itodas.uol.com.br/)

Heráclito também disse quase a mesma coisa: “A verdadeira constituição das coisas gosta de ocultar-se.” Quando ele diz a verdadeira constituição refere-se ao Ser, tal qual feito por Heidegger, quando afirma: “(…) a analítica existencial do Dasein mobiliza igualmente uma tarefa, cuja urgência não é menor que a questão do ser, a saber, a liberação do a priori, que se deve fazer visível, a fim de possibilitar a discussão filosófica da questão ‘o que é o homem.”