Arquivo da categoria ‘Tempo’

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Se a sorte lhe sorriu porque não sorrir de volta? Você nunca olha a sua volta…

Dezembro 6, 2009

If you let your feelings go, dear
It’s scary what you’ll find
I find, I’m on your street, dear
And you’re always on my mind

And no one need to know
That you let me in tonight
That you let me see the world
That you let me see the world
Behind your eyes

I want to see us work, dear
To reach the other side
Our treachery is love, dear
We’re on both ends of the fight

We’re fighting for ourselves
Fighting for our lives
Would you let me see
The world behind your eyes

And no one needs to know
How scared we are tonight
Would you let me see the world
Behind your eyes

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Any time at All

Outubro 26, 2009

O Presente não Existe

Não é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo – o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstracta. O presente não é um dado imediato da consciência.

Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: «Detém-te! És tão belo…!», como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo.

Jorge Luís Borges, in ‘Ensaio: O Tempo’

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The lights go off, THE LIGHTS GO ON

Setembro 20, 2009

Hora de tirar a poeira do blog. Ando sumido o velho sonho de ser um procurador, mas a verdade é que eu já sou um, um procurador da vida em busca de sinestesias, idiossincrasias e melodias…

Todo ano desde 2004 há um final de semana que supera todas as expectativas e se torna um dos melhores do ano… O que ocorreu ?!?! Apenas fui a um dos melhores shows da minha vida… Parece que eu estou exagerando ?!?! De maneira nenhuma, o show de Beirut foi uma catarse impregnada de sinestesias inusitadas e inesperadas… Eu confesso que eu fui sozinho, sem conhecer ninguém. Confesso, no entanto, que conheci mais gente em uma noite do que todas as outras… Todos com um único desejo ver BEIRUT…

Até chegar Beirut, muiiiiiiiiitos passos foram dados… ouvimos o JAM da Silva pernambucano da minha terra.

Depois, veio o segundo melhor momento do Coquetel Molot2009 primeira noite, a Tiê entrou no palco, com uma musicalidade de gente grande e conhecida mundialmente, não é a toa que o Toquinho a chamou pra sair em turnê… Seus versos impressionam:

Já faz um tempo que eu queria te escrever um som. Passado o passado, acho que eu mesma esqueci o tom.

E te peço, me perdoa, me desculpa que eu nao fui sua namorada, pois fiquei atordoada, faltou o ar, faltou o ar.


E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem e você vai me ensinar as suas verdades e se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio
Alô, eu sei, se chega até aqui, tão no limite não dá mais pra desistir. Amor, porque eu te chamo assim, se com certeza você nem lembra de mim.


E eu confesso, só me resta a vida interia. Só me resta a vida em mi maior e lá.

Poxa, “só me resta a vida em meu eu maior(mi) e lá” fora na eterna (des)aventura entre o certo e o incerto que a vida nos reserva. Soa como John lennon: “vida é o que acontece enquanto fazemos planos”. Não adianta planejar tanto, sem dúvida é preciso saber o que se quer, mas quando esse querer vai acontecer !?!?! Dou um doce pra quem souber…

O melhor show que eu ja fui, sem nada programado, sozinho, livre, leve e solto. Chegando lá as melhores companhias que pude encontrar não imaginaria nunca.

Consegui chegar perto do Zach, arrumei uma camisa com os autógrafos da banda, ainda registrei o momento…Putz, dizer que valeu a pena não chega nem à terça parte do mínimo que se pode imaginar. Eles tocaram Scenic World, só faltou Mimizan, East Harlem que diga-se de passagem eu gritei o show inteiro da terceira fileira e toda vez que ele ouvia o Zach fazia um ar de riso…

Como também teve o momento apoteótico do show com Elephant Gun com todos batendo palma e cantando, o tecladista até se emocionou chorando… Confesso que Capitú plantou a dúvida em quem leu e viu Dom Casmurro, mas nem Machado de Assis poderia imaginar que a música de uma de suas personagens mais populares proveria em sua releitura “moderna” fosse capaz de suscitar tamanha catarse…

Sem falar que o sábado foi regado a um primoroso jantar na melhor companhia dos meus entes queridos e logo após uma visita à Hepburn, com direito a rever pessoas que conheci, em suma, na mais fina companhia como diria Chico Buarque…

De tempos em tempos a vida sorri pra você é numa dessas oportunidades que se tem de sorrir de volta, não se pode desperdiçar a chance de um belo diálogo… Como disse no título as luzes se apagaram, mas elas estão acesas denovo que iluminem aventuras e coisas boas dessa vez…

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Ticket To Ride

Junho 1, 2009

A História da Humanidade em Três Palavras
Felipe lembrou-se da história do Rei do Oriente que, desejando conhecer a história da humanidade, recebeu de um sábio quinhentos volumes; ocupado com negócios de Estado, pediu-lhe que a condensasse. Ao cabo de vinte anos, o sábio voltou e a sua história ocupava agora apenas cinquenta volumes; mas o rei, já velho demais para ler tantos livros volumosos, pediu-lhe que a fosse abreviar mais uma vez. Passaram-se de novo vinte anos, e o sábio, velho e encanecido, trouxe um único volume com os conhecimentos que o rei procurara; este, porém, estava deitado no seu leito de morte, nem tinha mais tempo de ler sequer aquilo. Aí o sábio deu-lhe a história da humanidade numa única linha: “Nasceram, sofreram, morreram”.
Somerset Maugham, in “A Servidão Humana”
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Como não entende de ser valente Ele não sabe ser mais viril Ele não sabe não, viu? Às vezes dá como um frio É o mundo que anda hostil

Março 20, 2009

Saber Desfrutar Todos os Tempos


Nós mostramo-nos ingratos em relação ao que nos foi dado por esperarmos sempre no futuro, como se o futuro (na hipótese de lá chegarmos) não se transformasse rapidamente em passado. Quem goza apenas do presente não sabe dar o correcto valor aos benefícios da existência; quer o futuro quer o passado nos podem proporcionar satisfação, o primeiro pela expectativa, o segundo pela recordação; só que enquanto um é incerto e pode não se realizar, o outro nunca pode deixar de ter acontecido. Que loucura é esta que nos faz não dar importância ao que temos de mais certo? Mostremo-nos satisfeitos por tudo o que nos foi dado gozar, a não ser que o nosso espírito seja um cesto roto onde o que entra por um lado vai logo sair pelo outro!
Séneca, in ‘Cartas a Lucílio’
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How you Heart is Wired

Março 15, 2009

My tongue is scailing the North face of your neck
And we’re glaring like warriors but,
I’ve a feelin’ you won’t look at me that way in the morning
Cos lately you seem less sure of this thing
You’re like Bambi on Ice
And there’s something in the flash of your arms
A certain longing

Kick the can I can’t see you now behind that temper and ire
Mister wolf knows what time it is
He says it’s dinner time
I don’t know what you’re carrying or how you’re heart is wired
but there’s a dangerous ticking.

I cut the red one, No, the Blue one
I cut the red one,
I cut the blue one
Raking over the embers and what I come accross?

Is that you, combing your hair?
Is that me, eating an egg?

And are we there
Like John Boy said?

My tongue is scaling the North face of your neck
And we’re glaring like warriors but,
I’ve a feelin’ you won’t look at me that way
I’ve a feelin’ you won’t look at me that way
I’ve a feelin’ you won’t look at me that way
in the morning.

Is this how it goes,
In these, the final throws?

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Time is on my side, Yes it is…

Dezembro 30, 2008

Um homem como todos os demais, incapaz de parar o tempo. O curioso caso de Benjamin Button é a história de um viajante sobre as pessoas e lugares que ele encontra ao longo do seu caminho, os amores, as perdas, as buscas da alegria da vida, das suas tristezas e da morte dos que estão a sua volta.

Sobretudo, o conto versa sobre o que realmente dura além do tempo? Nada dura para sempre. Mas o que importa na vida tem sua intensidade e seu momento. A idéia do filme é genial. Criar um ser humano já nascido velho. Em sua infância Benjamin desfruta de toda compreensão da experiência e dos erros dos que possuem mais vivência. E a medida que o tempo vai caminhando, há um rejuvenescimento do personagem. No final da vida, ao em vez de lamentar não ter vivido tudo que podia, poder de fato realizar a experiência vivida com a força da juventude.

Toda essa originalidade subverte a idéia da frase que me faz ter a angústia do tempo e do reconhecimento de quão limitado sou: “Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse” (Henri Estienne). A mudança ocorre na partícula se, ao extirpar os limites da incapacidade humana. Seja em que função sintática for condicional, apassivadora, subordinativa, ou não a frase sem esta angústia deixa a compreensão mais agradável e a vontade para significar.

Sem esse “se” a frase ganha uma nova sintaxe. A idéia do filme faz do “se” o sentir do jogo da linguagem do ser. Como no Teatro Mágico: “Sintaxe a vontade” perante o tempo vivido. Há no filme uma metáfora viva criadora de seu próprio significado confortador, no melhor estilo de Paul Ricoeur.

A metáfora da juventude vivida sem sua inexperiência, mas com sua garra de sempre poder expandir e vivenciar novos horizontes, depois da passagem do tempo. É como ter mais um Ás na manga para enganar o tempo, não só se restringindo à ter filhos e poder fazer deles algo melhor do que fomos. É poder cantar Amor pra Recomeçar pensando que o cedo não se resumi a um início:

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois, toda idade tem
Prazer e medo…
Se no filme No Country for Oldmen (Onde os fracos não tem vez) o tempo foi revelado na arte revelando a perseguição inautêntica perante o ser humano. The Curious Case of Benjamin Button é a forma mais ilustrativa do que consta em Tempo e Ser de Martin Heidegger: “Ser é tempo”. A história desvela o quão importante é reconhecer e respeitar o próprio tempo. Não é apenas dizer tudo tem seu tempo. Dizer isto, resume-se a nomear o tempo e nada mais.

Em Tempo e Ser, Heidegger diz:

Nomeamos o tempo, quando dizemos: “Cada coisa tem seu tempo”. Isso quer dizer: cada coisa, que sempre é a seu tempo, cada ente vem e vai em tempo certo e permanece por algum tempo durante o tempo que lhe é dado por parte. Cada coisa tem seu tempo.”

A história faz o sentir do tempo de oportunidades legadas pela vida. É dizer, o tempo do kairós. O filme tem um trecho de grande significação. Como Benjamin não se permitiu acompanhar a história de sua filha, deixou para ela o mais importante aprendizado obtido desde a época de seu nascimento.

A sua existência ensina o fazer perceber o que realmente importa na vida. O valer a pena não pode ser conciliado com o tempo de Cronos. Pois, as oportunidades sempre se pautam em um acontecer do kairós. Ser quem realmente se quer ser. Não importa apenas ser no interior de sua personalidade, mas sim externar isso de modo a reconhecer e agir como tal.

O filme revela nunca ser tarde para começar novos projetos deixando as tristezas em uma agenda que não se abre mais. Importa ter mais energia e amor pelo feitos vividos, do que se preocupar com contigências. É possível a cada experiência vivida de tempos em tempos se possa mudar o que se acredita, mas há o livre arbítrio para permanecer igual. A verdade é que diante de assuntos da vida não há tantas regras quanto se imagina. Talvez, regras mesmo sejam importante para a convivência, mas não para o viver.

A grande mensagem do filme aborda a preocupação tão constante em alguns, a perda de tempo. Nunca se perde tanto quando dedica-se a algo que deu errado. O tempo é um dos bens mais preciosos do ser humano. Mesmo assim, até mesmo na sua perda que haja a possibilidade de fazer e dar o melhor de si mesmo. Talvez, esta seja a grande diferença a ser feita para dar intensidade e relevo as marcas deixadas pelo tempo. Como Vinícius de Moraes em “soneto do amor”: Mas que seja infinito enquanto dure. Neste caso que seja intenso para marcar.

(The Curious Case of Benjamin Button)

For what´s worth it is never to late, or in my case to early
Be who ever you wanna be
There´s no time limit start whatever you want
You can change or stay the same
There are no rules to this thing
You can make the best of waste time
I hope you make the best of it
I hope you see things that startle you
I hope you feel things that you never felt before
I hope meet people with different point of view
I hope you live a life you proud of
if you find that you´re not, i hope you have strength to start all over again…

Para o que vale a pena nunca é tarde demais, ou no meu caso cedo
Seja quem você quiser ser
Não há um limite no tempo para começar o que você quer
Você pode mudar ou permanecer o mesmo
Não há regras para isso
Você pode fazer o melhor da perda do tempo
Eu espero que você faça o melhor disso
Eu espero que você veja coisas que te surpreendam
Eu espero que você sinta coisas que você nunca sentiu antes
EU espero que você conheça pessoas com diferentes pontos de vista
Eu espero que você viva uma vida que te orgulhe
E se você descobrir que não, espero que você tenha forças para começar tudo denovo…

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This one’s for the lonely The one’s that seek and find Only to be let down Time after time

Novembro 3, 2008


Poucas pessoas saberão, a meio da vida, como chegaram a ser o que são, aos seus prazeres, à sua visão do mundo, à sua mulher, ao seu carácter, à sua profissão e aos seus êxitos; mas sentem que a partir daí as coisas já não irão mudar muito. Poderia mesmo afirmar-se que foram enganadas, porque não se consegue descobrir em lugar nenhum a razão suficiente para que tudo tenha acontecido como aconteceu, quando teria sido perfeitamente possível ter acontecido de outra forma.

O que acontece, aliás, raramente depende da iniciativa dos homens, mas quase sempre das mais variadas circunstâncias, dos caprichos de alguns, da vida e da morte de outras pessoas, e, de certo modo, limita-se a vir ter connosco naquele preciso momento.

Robert Musil, in ‘O Homem sem Qualidades’

Na vida, como no esporte, ou até mesmo nos concursos a pessoa lida com uma série de variantes inimagináveis, das quais não se pode controlar. Não existe um espaço paramétrico, onde a única decisão importante seja a sua própria decidibilidade. Entretanto, se serve de consolo para alguns, há quem possa identificar por fazer seu próprio caminho (Eigenlichkeit), a razão suficiente de tudo que está a acontecer e que poderia ter sido diferente.

Essa tal de razão suficiente parece ser um ponto crucial nos acontecimentos de uma determinada vida colocando as coisas em perspectiva. Mesmo que raramente, e na maioria das vezes, os acontecimentos não dependam da iniciativa dos homens há a possibilidade de se fazer o melhor, lutar até o último momento. Ainda assim, não ser o suficiente, seja lá por que motivos for…

Para ser o melhor cada detalhe é importante, cada segundo de dedicação faz a diferença no final., enfim não se pode errar. Sempre disse a mim mesmo, a principal diferença entre o extraordinário e o bom está em que o extraordinário não erra quando não se pode errar. O Bom faz a mesma coisa que o extraordinário realiza, mas erra quando não poderia errar.

Pode parecer falacioso tal argumento, por não retratar certas e determinadas realidades, mesmo assim não se pode cobrar tanta confiança das coisas hoje em dia, que o diga a própria vida em seus acontecimentos dependentes das mais variadas circunstâncias. A crise de confiança se instaura justamente por esta dependência. Ideal seria não ter esta dependência, mas…

Depender de caprichos e erros dos outros são circunstâncias que revelam a responsabilidade dos próprios atos com reflexos nas vidas dos outros. A repercussão dos próprios atos deveria ser uma pedra angular no momento de decidir, mas quase nunca é levado em conta. Isso gera atrapalhos os quais mesmo diante de feitos extraordinários, ainda assim a façanha não seja suficiente para se conseguir vitória sonhada. Como existencialista aprendi a ser responsável pelos meus próprios atos, sobretudo ao enfrentar as conseqüências que advém dos mesmos.

Mas não estava escrito que reflexos das decisões dos outros, que não possuem consciência suficiente para enxergar até onde vai os efeitos de suas decisões mudaria toda a história. Um exemplo dos erros alheios com reflexos na própria vida aconteceu hoje. Felipe Massa foi extraordinário do começo ao fim do final de semana. Fez o possível e o impossível, São Pedro até que deu uma ajudinha, mas ainda assim não foi suficiente.

Digo que foi extraordinário porque Felipe não errou quando não podia errar. Lewis Hamilton por mais um ano errou ao espalhar na curva e Sebastian Vettel conseguiu ultrapassá-lo, só que dessa vez conseguiu, tendo a sorte ao seu lado, ultrapassar um tal de Timo Glock que resolveu arriscar ficar com pneus para pista seca. A Toyota foi a única equipe a não mudar de pneus.

Felipe perdeu o campeonato por um único ponto. Se tivesse empatado com Lewis Hamilton sagrava-se campeão por ter mais vitórias. O único problema foi um mecânico e a Ferrari com experimentações tecnológicas o fizeram perder o campeonato. Numa corrida o piloto corre contra 21 carros, 10 equipes.

Mas quando se corre contra sua própria equipe, ou a sua própria casa é impossível ser campeão mundial, ou vencer em algo. Felipe não perdeu o campeonato, a Ferrari foi que tirou seu título. Esse foi o grande detalhe que o fez não ser campeão na temporada 2008 de F1. A Ferrari levou o título dos construtores, quando quem mais errou foi ela própria, a Mclaren como equipe não cometeu erros bobos, mas conseguiu seu próprio campeão de pilotos.

Esse erro da escuderia foi a razão suficiente pela qual Felipe não foi campeão. Quando seu próprio time te afunda, não há necessidade de competidores as derrotas acontecem de qualquer jeito. Nem vencendo a corrida, cruzando a linha de chegada como campeão mundial é suficiente, 500m depois e alguns segundos tiram qualquer chance de ser campeão.

Na vida somos obrigados a levantar do banco e fazer escolhas, escolher por qual time torcer, quem fará parte dele. Enfim, sair do nosso isolamento, do espaço onde só as nossas próprias decisões podem mudar os rumos da nossa história e assistir alguém chegar e mudar completamente o jogo, seja por caprichos, erros, ou decisões que só levam em conta a própria realidade.

E, mesmo, realizando o impossível assistimos a nossa própria incapacidade em superar obstáculos, dos quais nunca teriam sido postos se dependessem única e exclusivamente na nossa própria vontade tudo porque houve uma dependência calcada nas mais variadas circunstâncias da vida. É apenas um consolo identificar o ponto crucial em que a história poderia ter sido mudada.

A razão suficiente não muda os fatos. Acaba por testar a capacidade de sermos humanos, pois no final do dia o fato de termos coragem de ainda ficar de pé, mesmo com as piores frustrações vividas, pode ser uma nova razão suficiente para seguir em frente e continuar de pé…

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Sonnet

Agosto 11, 2008

Da Duração das Obras

Algumas obras morrem porque nada valem; estas, por morrerem logo, são natimortas. Outras têm o dia breve que lhes confere a sua expressão de um estado de espírito passageiro ou de uma moda da sociedade; morrem na infância. Outras, de maior escopo, coexistem com uma época inteira do país, em cuja língua foram escritas, e, passada essa época, elas também passam; morrem na puberdade da fama e não alcançam mais do que a adolescência na vida perene da glória. Outras ainda, como exprimem coisas fundamentais da mentalidade do seu país, ou da civilização, a que ele pertence, duram tanto quanto dura aquela civilização; essas alcançam a idade adulta da glória universal. Mas outras duram além da civilização, cujos sentimentos expressam. Essas atingem aquela maturidade de vida que é tão mortal como os Deuses, que começam mas não acabam, como acontece com o Tempo; e estão sujeitas apenas ao mistério final que o Destino encobre para todo o sempre (…)

Fernando Pessoa, in ‘Heróstrato’
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On a weekend I wanna wish it all away, yeah. And they called and I said that “I want what I said” and then I call out again.

Junho 29, 2008

A Eternidade é o Nosso Signo


Sim, a eternidade é o nosso signo. Não começámos a existir nem o fim da existência o entendemos como fim. Por isso não sentimos que não existimos antes de começarmos a existir mas apenas que tudo isso que aconteceu antes de termos existido foi apenas qualquer coisa a que por acaso não assistimos como a muito do que acontece no nosso tempo. E à morte invencivelmente a ultrapassamos para nos pormos a existir depois dela. O prazer que nos dá a história do passado, sobretudo os documentos que no-lo dão flagrantemente, vem de nos sentirmos prolongados até lá, de nos sentirmos de facto presentes nesse modo de ser contemporâneos. Mas sobretudo há em nós uma memória-limite, uma memória absoluta que não tem nada de referenciável e se prolonga ao sem fim. Do mesmo modo há o futuro que é pura projecção de nós, apelo irreprimível a um amanhã sem termo ou sem amanhã. Por isso a morte nos angustia e sobretudo nos intriga por nos provar à evidência o que profundamente não conseguimos compreender. Mas sobretudo a eternidade é o que se nos impõe no instante em que vivemos. O tempo não passa por nós e daí vem a impossibilidade de nos sentirmos envelhecer. Sabemo-lo na realidade, mas é um saber de fora. Repetimo-lo a nós próprios para enfim o aprendermos, mas é uma matéria difícil que jamais conseguimos dominar. Por isso estranhamos que os nossos filhos cresçam e se ergam perante nós como adultos que não deviam ser. Por isso estranhamos os jovens pela sua estranheza de que quiséssemos porventura ser jovens como eles. Instintivamente sentimos que é um abuso eles tomarem o lugar que nos pertencia e nos desalojem do lugar que era nosso. Por isso sofremos, não bem por perdermos o que nos pertencia, mas pela dificuldade de isso entendermos.Há uma oposição frontal entre o nosso íntimo sentir e a realidade que isso nos desmente. Somos eternos, mas vivemos no tempo. Somos imutáveis, mas tudo à nossa volta se muda e nos impõe a mudança. Somos divinos, mas de terrena condição. É essa condição que sabemos, mas não conseguimos aprender. Nesta oposição se gera toda a grandeza do homem e a tragédia que o marcou. Os que se fixam num dos termos são deuses iludidos ou animais que não chegaram a homens. Porque o verdadeiro homem é deus por vocação e animal por necessidade.

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 3′

Hoje dois fatos me chamaram a atenção. Primeiro, vi um filme de Oscar Niemeyer em que tratava de sua vida. Retratava sua visão de mundo, claramente socialista, seu olhar sobre as formas. Sobretudo, um homem a frente do seu tempo por perceber, a partir de seu olhar singular, o mundo que o circundava e poder servir de inspiração para suas obras. No filme ele cita uma frase muito provavelmente de sua autoria. “A vida é um sopro.” Um homem do alto de seus 100 anos olha para o seu passado e vê apenas uma passagem rápida do tempo vivido e experenciado. Se auto intitula um ser humano comum por isso.

O segundo fato foi em uma festa. Boa parte da geração de meus pais conheceu algumas dificuldades consideráveis. O que é completamente diferente da minha geração, que está se formando hoje sem conhecer tantas dificuldades. Lógico que isso não é de forma generalizada e nem poderia ser. Muitos hoje, como na geração de meus pais, também passam por apertos de grande monta. Mas em ambas existem duas pedras de toque.

Alguns da geração dos meus pais não tiveram casa para morar, passaram dificuldades. Por exemplo não sabiam se teriam carro até mesmo usado, ou menos dinheiro para comprar um jeans. Muitos tiveram privações de peso em suas vidas. Ausências de pais, mães, dinheiro para pagar a faculdade, fome. Grande parte conhecida por mim conseguiu vencer na vida. A maioria dela conseguiu realizar seus sonhos, talvez não da maneira que imaginaram, mas conseguiram casas, carros, mulheres. Enfim, que a maioria almeja para si. E revelam isso como grande orgulho.


O que esses dois fatos tem em comum?

O tempo e a independência.

O tempo constitui o elemento mais igualitário perante o ser humano. Tanto o rico como o pobre possuem o tempo ao longo de suas vidas. Isso não quer dizer que a juventude teoricamente ao possuir mais tempo a ser vivido perante os que já beiram os 50 anos, seja mais rica. E tudo isso acontece rápido demais.

Em ambas as gerações existe também o desejo por independência. Chega a ser admirável o vigor de um jovem recém formado de sua faculdade ao ganhar seu primeiro quinhão. Para alguns um mísero trocado, para outros o início de uma calorosa conquista com base no esforço de horas consideráveis de estudo abdicando dos prazeres da vida. Nada como (re)conhecer o sabor da retribuição com base em seus estudos. Nesse momento esquecemos das longas horas de clausura lendo páginas e mais páginas. Tudo para cantar “procuramos independência acreditamos na distância entre nós”.

Distância das horas de sufoco, de liseu, pindaíba… A vida de estudante é por demais bela poucas responsabilidades, preocupações de peso reduzido se comparáveis à outros estágios da vida. Contudo, há o inconveniente de não se ganhar a remuneração que se gostaria, em alguns casos nem se ganha, mas há incontáveis festas para esquecer esse mísero detalhe, novas amizades a serem feitas termina-se por deixar em segundo plano todos esses inconvenientes.

Isso é  o que me lembro da minha vida de estudante. Não faz tanto tempo assim, eu estava me formando, 2 anos apenas. Quando olhamos para trás temos o passado comprimido em algumas de nossas lembranças há impressão que decorreu um tempo muito curto. Claramente, não vemos o tempo passar por nós.

Um exemplo disso são os pais sempre repetindo: “que os filhos não cresceram.” Sempre estão a julgar a idade de seus filhos a partir de si mesmos. Mais uma vez não se vê o tempo passando por nós mesmos. Haja visto, filhos são a única maneira de se enganar o tempo e a possibilidade de os fazer melhores do que somos ou fomos.

Dessa forma nos tornamos eternos, mas limitados por viver no tempo. Da mesma maneira cheios de contrastes, pois, de uma certa forma, permanecemos os mesmos diante do tempo, sempre procurando a independência. Em ambas as gerações, retratadas aqui, há o desejo por esta “moça” seja em mantê-la no caso da geração dos meus pais, ou em conquistá-la no caso da minha. Tudo para não provar o amargo das mudanças da sua falta e ao mesmo momento ter que se agarrar de novo a respectiva humanidade para ultrapassar tempos difíceis. Que essa fase difícil seja apenas qualquer coisa a que por acaso não assistimos como a muito do que acontece no nosso tempo. Ou seja apenas um sopro tudo isso…