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Time is on my side, Yes it is…

Dezembro 30, 2008

Um homem como todos os demais, incapaz de parar o tempo. O curioso caso de Benjamin Button é a história de um viajante sobre as pessoas e lugares que ele encontra ao longo do seu caminho, os amores, as perdas, as buscas da alegria da vida, das suas tristezas e da morte dos que estão a sua volta.

Sobretudo, o conto versa sobre o que realmente dura além do tempo? Nada dura para sempre. Mas o que importa na vida tem sua intensidade e seu momento. A idéia do filme é genial. Criar um ser humano já nascido velho. Em sua infância Benjamin desfruta de toda compreensão da experiência e dos erros dos que possuem mais vivência. E a medida que o tempo vai caminhando, há um rejuvenescimento do personagem. No final da vida, ao em vez de lamentar não ter vivido tudo que podia, poder de fato realizar a experiência vivida com a força da juventude.

Toda essa originalidade subverte a idéia da frase que me faz ter a angústia do tempo e do reconhecimento de quão limitado sou: “Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse” (Henri Estienne). A mudança ocorre na partícula se, ao extirpar os limites da incapacidade humana. Seja em que função sintática for condicional, apassivadora, subordinativa, ou não a frase sem esta angústia deixa a compreensão mais agradável e a vontade para significar.

Sem esse “se” a frase ganha uma nova sintaxe. A idéia do filme faz do “se” o sentir do jogo da linguagem do ser. Como no Teatro Mágico: “Sintaxe a vontade” perante o tempo vivido. Há no filme uma metáfora viva criadora de seu próprio significado confortador, no melhor estilo de Paul Ricoeur.

A metáfora da juventude vivida sem sua inexperiência, mas com sua garra de sempre poder expandir e vivenciar novos horizontes, depois da passagem do tempo. É como ter mais um Ás na manga para enganar o tempo, não só se restringindo à ter filhos e poder fazer deles algo melhor do que fomos. É poder cantar Amor pra Recomeçar pensando que o cedo não se resumi a um início:

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois, toda idade tem
Prazer e medo…
Se no filme No Country for Oldmen (Onde os fracos não tem vez) o tempo foi revelado na arte revelando a perseguição inautêntica perante o ser humano. The Curious Case of Benjamin Button é a forma mais ilustrativa do que consta em Tempo e Ser de Martin Heidegger: “Ser é tempo”. A história desvela o quão importante é reconhecer e respeitar o próprio tempo. Não é apenas dizer tudo tem seu tempo. Dizer isto, resume-se a nomear o tempo e nada mais.

Em Tempo e Ser, Heidegger diz:

Nomeamos o tempo, quando dizemos: “Cada coisa tem seu tempo”. Isso quer dizer: cada coisa, que sempre é a seu tempo, cada ente vem e vai em tempo certo e permanece por algum tempo durante o tempo que lhe é dado por parte. Cada coisa tem seu tempo.”

A história faz o sentir do tempo de oportunidades legadas pela vida. É dizer, o tempo do kairós. O filme tem um trecho de grande significação. Como Benjamin não se permitiu acompanhar a história de sua filha, deixou para ela o mais importante aprendizado obtido desde a época de seu nascimento.

A sua existência ensina o fazer perceber o que realmente importa na vida. O valer a pena não pode ser conciliado com o tempo de Cronos. Pois, as oportunidades sempre se pautam em um acontecer do kairós. Ser quem realmente se quer ser. Não importa apenas ser no interior de sua personalidade, mas sim externar isso de modo a reconhecer e agir como tal.

O filme revela nunca ser tarde para começar novos projetos deixando as tristezas em uma agenda que não se abre mais. Importa ter mais energia e amor pelo feitos vividos, do que se preocupar com contigências. É possível a cada experiência vivida de tempos em tempos se possa mudar o que se acredita, mas há o livre arbítrio para permanecer igual. A verdade é que diante de assuntos da vida não há tantas regras quanto se imagina. Talvez, regras mesmo sejam importante para a convivência, mas não para o viver.

A grande mensagem do filme aborda a preocupação tão constante em alguns, a perda de tempo. Nunca se perde tanto quando dedica-se a algo que deu errado. O tempo é um dos bens mais preciosos do ser humano. Mesmo assim, até mesmo na sua perda que haja a possibilidade de fazer e dar o melhor de si mesmo. Talvez, esta seja a grande diferença a ser feita para dar intensidade e relevo as marcas deixadas pelo tempo. Como Vinícius de Moraes em “soneto do amor”: Mas que seja infinito enquanto dure. Neste caso que seja intenso para marcar.

(The Curious Case of Benjamin Button)

For what´s worth it is never to late, or in my case to early
Be who ever you wanna be
There´s no time limit start whatever you want
You can change or stay the same
There are no rules to this thing
You can make the best of waste time
I hope you make the best of it
I hope you see things that startle you
I hope you feel things that you never felt before
I hope meet people with different point of view
I hope you live a life you proud of
if you find that you´re not, i hope you have strength to start all over again…

Para o que vale a pena nunca é tarde demais, ou no meu caso cedo
Seja quem você quiser ser
Não há um limite no tempo para começar o que você quer
Você pode mudar ou permanecer o mesmo
Não há regras para isso
Você pode fazer o melhor da perda do tempo
Eu espero que você faça o melhor disso
Eu espero que você veja coisas que te surpreendam
Eu espero que você sinta coisas que você nunca sentiu antes
EU espero que você conheça pessoas com diferentes pontos de vista
Eu espero que você viva uma vida que te orgulhe
E se você descobrir que não, espero que você tenha forças para começar tudo denovo…

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Scared of losin’ all the time He wrote it in a letter? He was a friend of mine He heard you could see your future Inside a glass of water With ripples and the rhymes He asked ‘Will I see heaven in mine?’

Dezembro 6, 2008


Inovar…

Inovar é antecipar, antever, antenar

É transfomar amanhã em hoje

Inovar é uma trilha no meio do óbvio

Um colírio na vista cansada da mesmice

É uma janela sempre aberta para o que ninguem viu ainda

Inovar é passar a bola no meio das pernas das expectativas

A inovação não avisa que vai chegar

Ela chega e pronto…

Novos passos exigem de nós coragem. Novos projetos deixam as tristezas em uma agenda que não se abre mais… Viver requer energia, dedicação, esforço. Lutar por seus ideais, defendê-los quando tudo e todos crescem opondo-se ao seu redor contrários e resistentes. As verdadeiras convicções do homem se dão a conhecer em tempos de controvérsia e desafios. Tiene que hacer las cosas bien para dar lo mejor. Where they failed i will suceed. La hazaña transciende a la suerte o inspiración de una noche.

Todas essas frases assumem em situações limite um sentido motivacional. Suscitam possibilidades na vida em superar obstáculos, revelam possíveis fórmulas legadas de uma tradição que triunfou e que se manifesta em nós mesmos. A tradição trazida de nossos antepassados que enganaram o tempo ao poder nos transmitir o legado da miséria que não foi repassada por Bras cubas a nenhum descendente seu. Cada ponto da experiência triunfante trazida por nossos antepassados serve de embasamento para superar adversidades e se não for capaz de ultrapassá-las pelo menos servem de pressupostos a nova superação.

Como existencialista compreendo a vida pautada em alguns pilares mais especificamente circunstâncias, decisões e possibilidades. Circunstâncias como condição de tempo refletidas no ser imiscuído no mundo. Ser é tempo (Martin Heidegger). Nós somos e temos nosso próprio tempo (Renato Russo). Decidir demanda saber escolher o que se quer. Tudo isso envolve assunção de responsabilidade e atitude. Como existencialista compreendo as escolhas diante de decisões que exigem assumir responsabilidades. Mas, não tava escrito em lugar algum sobre decisões alheias com reflexos na vida dos outros. Sem nenhuma responsabilidade pudesse ser assumida na existência aparentemente. O que pode implicar  o orgulho nas errôneas decisões tomadas e nenhum reconhecimento que algo feito errado.

Quando chega este momento precisa-se acreditar no que se acha certo, e deve ser feito. Não há espaço para dúvidas. Se estas forem levadas em conta, as dúvidas não fornecerão substrato para o que se quer acreditar, nada do que se faça será suficiente, e por não ser suficiente não há como lutar. No passa nada. No puedes hacer nada!

Ortega y Gasset foi muito feliz quando disse “Eu sou eu e minhas próprias circunstâncias”. Circunstâncias que revelam a condição de ser diante de uma busca vocacionada ao acontecer (Ereignis) da respectiva vida. Tal questão não está nos livros, nem escrita em nenhum lugar, apenas há o sentir de tudo isso. As maiores decisões que um ser humano enfrenta na vida não foi escrita em lugar algum, não está nos livros ou em qualquer canto. Temos apenas nossa própria intuição e tradição indicando o que deve ser feito.

Ortega y Gasset escreveu: “É, pois, falso dizer que na vida «decidem as circunstâncias». Pelo contrário: as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.”

É o novo que faz toda a diferença. No início há o novo, mas no final também há novas possibilidades sempre de ser feito um novo fim. Assim como o tempo, o novo não envelhece. Mas para isso requer um dizer criativo(Dichtung) sobre tudo que já foi dito e repetido. Relega a segundo plano a mesmice. Uma atitude inovadora esquece a trilha do óbvio. Fornece possibilidades ao abrir uma janela para o que ninguem viu ainda. Permite nas expectativas do amanhã o sentir e a viabilização do hoje. Enfim, te faz sentir mais perto das realizações, mesmo que seja à proporção da desesperança que seremos capazes de DECIDIR.

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Nesse jogo de reflexos a certeza me distrai… part 2

Agosto 24, 2008


A linha que divide a maldade da franqueza, nas nossas relações cotidianas, se chama intenção. Quais são nossas intenções por detrás das palavras aparentemente sinceras que proferimos?
Ajudar o outro? Abrir seus olhos? Mostrar-lhe um novo ponto de vista? Ou apenas humilhar o outro para disfarçar nossa própria pequenez? Ou tudo isso ao mesmo tempo? Com um naco de reflexão, aposto que manteríamos nossas bocas bem mais fechadas.

Stella Florence (http://itodas.uol.com.br/)

Heráclito também disse quase a mesma coisa: “A verdadeira constituição das coisas gosta de ocultar-se.” Quando ele diz a verdadeira constituição refere-se ao Ser, tal qual feito por Heidegger, quando afirma: “(…) a analítica existencial do Dasein mobiliza igualmente uma tarefa, cuja urgência não é menor que a questão do ser, a saber, a liberação do a priori, que se deve fazer visível, a fim de possibilitar a discussão filosófica da questão ‘o que é o homem.”

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And everything is you Me you, you me, it’s all related What’s a boy to do? Just be darling and I will be too Faithful to you

Junho 27, 2008

A busca por uma autenticidade possível confere dignidade e sentido à nossa vida.
Ernest Sarlet

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Lovers, keep on the road you’re on Runners, until the race is run Soldiers, you’ve got to soldier on Sometimes even right is wrong

Junho 20, 2008

“O racional é real e o real é racional”.
Georg Friedrich Hegel

Segundo um professor que tive na faculdade, esta frase foi o que dispertou em Martin Heidegger toda a sua filosofia, ou pelo menos um de seus passos.

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It’s how you look, and how you feel You must have a heart of steel. Why do I keep fuckin’ up?

Abril 16, 2008

“Sem embargo, o pensamento nunca cria a casa do Ser. Ele apenas acompanha a ec-sistência Histórica, isto é, a humanitas do homo humanus, para o domínio onde surge o salvo (das Heile). Com o salvo, principalmente, aparece na clareira do Ser, o mal, cuja Essência não está na simples ruindade da ação humana, mas repousa na maldade da grima (Grimm). Ambos, o salvo e a grima, contudo, só se podem essencializar no Ser, enquanto o próprio Ser é a disputa (das Strittige). É aqui que se esconde a proveniência Essencial do vigor do não (Nichten).”

Em Cartas sobre o Humanismo (Martin Heidegger).

Grima quer dizer: “sentimento de agressividade, rancor ou frustração; ódio, raiva. É, sobretudo, a impetuosidade, ação que resulta de força sem levar em consideração as conseqüências de atitudes e decisões.

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And you know it’s time to go through the sleet and driving snow across the fields of mourning to a light’s in the distance And you hunger for the TIME.

Abril 9, 2008

“Uma fronteira não é o ponto onde algo termina, mas, como os gregos reconheceram, a fronteira é o ponto a partir do qual algo começa a se fazer presente.”.
(Martin Heidegger, Building, Dwelling, Thinking)
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I know, with me everything’s fine. It’s time now to wake up your mind.

Março 25, 2008

Time is not a thing, thus nothing which is, and yet it remains constant in its passing away without being something temporal like the beings in time.

Martin Heidegger

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Djô Djô, nada pára, nada espera Djô Djô, que o destino assim quisera…

Março 18, 2008

Onde os Fracos Não Tem Vez seria uma catarse? Um filme, aparentemente sem sentido, com diálogos que nos últimos 30 min dão uma idéia de serem jogados sem um devido contexto e, ainda assim, ganhar 4 estatuetas do Oscar. Tem alguma coisa errada, certo?

Bem, eu disse aparentemente. O filme, definitivamente, é incomum, abre a porta para entrada das raridades que não são encontradas em qualquer esquina. Seus diálogos revelam a condição humana de uma forma ímpar, o que faz despertar o melhor dos juízos estéticos em quem o interpreta.

Definitivamente, a arte custa a se manifestar. Leva tempo para ser percebida. O que dizer então do próprio Tempo ser revelado na arte. Esse é a grande história do filme. Toda história é pautada no Tempo que afronta o ser humano. É algo que nos impele a pensar de um modo não utilitarista, mas de uma forma a desvelar como isso atinge todas as pessoas se colocando na realidade delas.

Digo isso, pois acompanhar o matador, Anton Chigurth (Javier Bardem), em sua odisséia é fazer uma analogia ao titã Cronos. Este era o mais novo dos Titãs. Filho de Gaia, a Terra, e de Urano, o céu estrelado. Foi o único a escutar o pedido de sua mãe, quando Gaia, a fim de pôr termo à sua própria escravatura e à dos seus filhos, decidiu armá-lo para que ele vencesse. O mito diz que cada vez que Gaia tinha um filho, Urano o devolvia ao seu ventre. Cansada disto, Gaia tramou com seu filho Cronos. Ela fez de seu próprio seio uma pedra em forma de lâmina e a deu para Urano. Cronos esperou que Urano, seu pai, dormisse e o castrou.

Cronos em relação a existência representa o tempo mensurado como dias, meses e anos. É finito, metódico, controlado, igual para todos. É o tempo linear, que cobramos aos outros e do qual dizemos que «tempo é dinheiro». É o tempo do calendário, o tempo do relógio. Cronos era pai de Zeus. Como Cronos que destronou o pai, Zeus também o fez. Cronos fora alertado uma vez que um possível filho seu o destronaria por isso matava todos os seus filhos.

Anton Chigurth mata todos no filme, tal qual Cronos o fazia. Basta ver o rosto de Chigurth para perder a vida. Chigurth pode também ser compreendido como um retrato do esteriótipo da violência em que as pessoas reagem a um indivíduo mal caratista. Mesmo assim, tal situação ainda evoca o tempo. Mais uma vez: o Tempo mostra quem é quem.

No caminho da vida de um ser humano, o encontro com seu próprio Tempo e mal caratistas duassão coisas muito comuns. Quero dizer, o filme pode desvelar como a condição humana pode ser ora cruel em sua violência, ora igualitária por mostrar que todos têm que enfrentar a responsabilidade de seu próprio Tempo. Nisto reside a experiência estética do filme. Como pode diante de tais paradoxos haver uma beleza tão singular?

Sem dúvida, o filme é um daqueles objetos estéticos construídos para proporcionar à quem assiste uma experiência singular. Ele permite, assim como os objetos estéticos, a experiência do belo, do expressar, do sentir.

Em essência, a experiência estética faz vibrar nossos sentimentos, ou melhor, eles são tocados, despertados pelas formas do objeto e então vibram, dando-se a conhecer a nós mesmos. Como quando enfrente a um espelho, onde apreendemos nossa imagem e desvelamos a aparência face ao objeto estético, descobrimos aspectos da vida interior, vindo a conhecer melhor a nossa realidade. Como diria Neruda: “Amor é que nem espelho tem que ter REFLEXO”.

Esse reflexo é o que faz da perseguição entre Chigurth e Llewelyn Moss (Josh Brolin) tão emocionante. O Tempo cronológico atrás das coisas mundanas e fugazes. Grande parte da maioria está a correr atrás de algo antes que seja tarde sem respeitar nenhum princípio. Como ponto de equilíbrio está o Sheriff (Tommy Lee Jones) que sente o peso de seu próprio Tempo ao questionar o que está acontecendo com o mundo. Ao Sheriff cabe fazer a ponte entre o sentir dos efeitos do tempo Chigurth e as indagações do mundano Llewelyn.

No início do próprio filme ele questiona um jovem que tinha um único próposito matar alguém. Até mesmo na cena do café em que um subalterno seu acaba rindo de tanta desgraça estampada em um jornal. Pois, nesta cena o Sherriff presta sua solidariedade ao dizer que acontece o mesmo com ele. Tanta indiferença serve para mostrar a comodidade em aceitar como normal o que está invertido ou esquecido no mundo. Em outro momento conversando com outro xerife chega-se conclusão de que a desgraça do mundo atual são as drogas e o dinheiro. Todas esses diálogos fazem o Sheriff indagar pelo mundo.

Depois dessa conclusão, há o começo da parte mais significativa do filme, ou pelo menos aquela em que todos pensam não haver sentido algum. São os diálogos do filme que fazem toda uma diferença. O xerife também conversa com um velho em uma cadeira de rodas. A parte principal do diálogo começa assim:

Me disseram que você está largando o cargo
(…)
Aquele homem que atirou em você morreu na prisão.(xerife)
Em Angola, sim.
O que faria se ele fosse solto?(Xerife)
Ah, eu não sei. Nada. Não teria motivo.

Estou surpreso de ouvir você dizendo isso.(Xerife)

Enquanto você gasta seu tempo tentando retomar algo que foi tirado seu, há mais saindo pela porta.

Após algum tempo, você apenas coloca um torniquete, e pronto.

(…)
Loretta me disse que você está largando o cargo. Por que está fazendo isso?
Eu não sei.(Xerife)
Me sinto ultrapassado(Xerife)
Eu sempre pensei que, quando envelhecesse, Deus entraria na minha vida.ELE não entrou.E eu não o culpo.(Xerife)

Se eu fosse ele, teria a mesma opinião que ele tem de mim.(Xerife)
Você não sabe o que ele pensa.

(…)
O que você tem, não é nada novo.
As pessoas desse país são difíceis de lidar.

Você não pode parar o que está vindo.

Nada mais vai esperar por você.
É inútil. (Thats vanity)

O xerife claramente sente os efeitos do Tempo diante de sua vida. Questiona a partir da existência a responsabilidade de seus atos e pergunta por que Deus não entrou em sua vida? Ele faz menção ao existencialismo, pois:

“Dostoievski escreveu: «Se Deus não existisse, tudo seria permitido». Aí se situa o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo é permitido se Deus não existe, fica o homem, por conseguinte, abandonado, já que não encontra em si, nem fora de si, uma possibilidade a que se apegue. Antes de mais nada, não há desculpas para ele. Se, com efeito, a existência precede a essência, não será nunca possível referir uma explicação a uma natureza humana dada e imutável; por outras palavras, não há determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Se, por outro lado, Deus não existe, não encontramos diante de nós valores ou imposições que nos legitimem o comportamento. Assim, não temos nem atrás de nós, nem diante de nós, no domínio luminoso dos valores, justificações ou desculpas.” (Vergílio Ferreira, in ‘O Existencialismo é um Humanismo’)

Com relação ao tempo em sua existência Heidegger uma vez disse que não se podia afirmar o “que” o ser humano é, mas sim quem ele é. Quis dizer que a essência humana não acontece fora da existência. Nessa corrida contra o tempo da vida de alguns ele acaba por se perder diante de uma queda (Verfallen). Ocorre a queda devido a busca de algo não essencial a existência e sem valor em si mesmo, ou seja, banalidades . Por isso, enquanto se gasta o Tempo em retomar o que lhe foi tirado há mais saindo pela porta. Alguns dizem, para amenizar o desgaste dessa corrida, que as coisas só acontecem com o Tempo. Se não aconteceu é porque não tinha de ser.

Em Tempo e Ser, Heidegger diz:

Nomeamos o tempo, quando dizemos: “Cada coisa tem seu tempo”. Isso quer dizer: cada coisa, que sempre é a seu tempo, cada ente vem e vai em tempo certo e permanece por algum tempo durante o tempo que lhe é dado por parte. Cada coisa tem seu tempo.”

Em suma, não se diz “nada”, quando se afirma que as coisas só vão vir “no” ou “com” o tempo. É uma ilusão pensar que isso é uma grande descoberta, ou algo que serve de conforto a inquietudes. Quando se diz que as coisas não tinham de ser é para expressar uma visão conformista para perdedores.

Quando Ellis diz: que não se pode parar o que está vindo e nada mais vai esperar pelo Xerife significa o próprio Tempo reverenciando as mudanças trazidas pelo mesmo no que lhe é peculiar, o passageiro. E isto, não é nada novo, apenas se está dando nome ao tempo. Quando não se pensa o mais digno de ser pensado(o SER) o tempo se perde. O filme também é sobre esta corrida e o tempo que foi perdido em banalidades da modernidade que os valores que deveriam ser lembrados, mas são esquecidos.

Uma prova disso é Chigurth, quando decide a vida humana no cara e coroa. A vida vale mais do que uma moeda sendo jogada para o alto. Algumas vezes, sem nem deixar o oponente saber o que está em jogo. Como uma forma de acabar com tamanha banalidade, do comum já-desde-sempre-dito, a esposa de Llewelyn Moss (Josh Brolin) tenta fazer o assassino tempestivo resgatar os valores esquecidos que impedem de ver a tomada de responsabilidade por seus atos. Quando diz que quem escolhe é a própria pessoa:

Eu sabia que isto não tinha acabado.
Eu não tenho o dinheiro…

(…)
Você não tem motivos para me machucar.
Não(Chigurth)
Mas eu dei minha palavra(Chigurth)
Deu sua palava?
Ao seu marido.(Chigurth)
Isso não faz sentido.
Deu a sua palavra a ele que me mataria.
Seu marido teve a chance de salvá-la.(Chigurth)
Mas ele usou você para salvar a si próprio.(Chigurth)
Não foi assim.
Não, como você está dizendo.
Você não precisa fazer isso.
Todos sempre dizem a mesma coisa.(Chigurth)
O que eles dizem?

Eles dizem “você não precisa fazer isso”.

E Chigurth resolve jogar a moeda.

Isso é o melhor que eu posso fazer.(Chigurth)
Escolha.(Called) (Chigurth)

Eu sabia que você era louco quando o vi sentado aí.

Eu sabia exatamente o que me esperava.

Escolha.(Chigurth)

Não, Não vou escolher.

A moeda não decide nada.

É você.

Por último, vem o diálogo do sonho do Xerife, que tenta equilibrar a responsabilidade dos atos de uma vida construída a partir de um fazer pelas próprias mãos (Eigentlichkeit) e um mundo de desajustes. O xerife velho e aposentado compara seu pai, eternamente jovem, consigo mesmo e a procura de um ponto imutável no tempo onde possa segurar a sua vida diante de tudo que é passageiro.

(…)
Como durmiu?
Não sei. Tive sonhos.(Xerife)
Bem, você tem tempo para sonhar agora. Algo de interessante?
Sempre são para a parte interessada.(Xerife)
Ed Tom. Eu serei discreta.
Bem, foram dois. Com meu pai. Bem peculiar.(Xerife)
Estou mais velho agora e ele sempre teve 20 anos.
Então, de certa forma, ele é o mais jovem.
De qualquer forma, não lembro muito do primeiro, mas ele me encontrou na cidade e me deu algum dinheiro.
Acho que o perdi.
No segundo, era como se ambos tivéssemos voltado ao passado.
Eu estava a cavalo, andando pelas montanhas no meio da noite. Estava frio e havia neve no chão.
Ele me passou e continuou andando. Não disse nada. Apenas passou.
Estava enrolado em um cobertor e de cabeça baixa.
E quando ele passou, vi que carregava uma tocha, como se fazia na época.
Eu podia ver a luz dentro daquela tocha. TInha a cor da lua.
E, no sonho, eu sabia que ele iria adiante, e que queria fazer uma fogueira no meio daquela escuridão e daquele frio.
E eu sabia que, a qualquer momento que eu fosse lá, ele estaria lá.
E eu acordei.
(…)

O significado de passageiro está em Tempo em Ser, onde:

“A justaposição de Tempo e Ser contém, não obstante, a indicação para discutir o Tempo no que lhe é próprio, com o olhar dirigido para o que foi dito do ser. Ser significa presentar, presentificar, presença. Presença é a significação temporal do ser enquanto subsistência. Ou seja, presença é a significação do passageiro, o que passa no decurso do tempo enquanto consciência de si. Em suma, presença significa o constante permanecer, que se endereça ao homem, que o alcança e lhe é alcançado.”

Os sonhos mostram o Xerife na busca de algo subsistente a tantas mudanças e que perdure no tempo, seja no passado, ou no futuro. Em ambos não há a “presença”(o constante permanecer) do que ele procura. Mas, é no seu tempo presente enquanto ele toma consciência de si que encontra seu ponto de subsistência ajudando-o a manter seus valores e iluminar o caminho diante da perseguição entre o Tempo matador de Chigurth e o mundano de Llewelyn.

O filme é a catarse do Tempo. Aquele Tempo cronológico que se perde diante das coisas fugazes que apenas prejudicam o enquanto da tomada de consciência em si da condição humana. Em suma, impedem o ser humano de buscar sua ontologia e o seu querer vir a Ser. Enquanto não se deixar Ser o que alguém almeja na vida haverá um único problema: tudo na vida passa, mas os atrapalhos do passageiro deixam marcas que ficam na presença do Ser impossibilitado. Diante de tantos atrapalhos experenciados a única coisa que permanece é o ser humano tentando Ser refletido ou vibrar nas possibilidades de manter seus valores que formam as suas idiossincrasias em simplesmente SER.

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It was ” over fifty” years ago today, Sgt. Pepper taught the band to play.

Março 7, 2008

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Viver é um dos verbos que tenho o cuidado de dizer ressaltar a dificuldade de sua realização. Até mesmo, uma Tia minha dizia no fim de sua vida, viver está muito difícil. Nossa língua ainda adiciona um sufixo “con” a tal verbo, tornando-o ainda mais difícil.

Conviver no sentido de estar junto a pessoas é essencial ao ser, mas ao mesmo tempo complicado.

Duas coisas me passam pela cabeça, quando penso em conviver. A primeira a música dos Beatles I am The Walrus. E o segundo o conceito de Mit-Sein que Heidegger utiliza no §26 de Ser e Tempo.

Em I am the Walrus, John Lennon escreveu parte da letra, segundo ele, em duas distintas “viagens” de ingestão de drogas. Alguns versos foram escritos após John Lennon ler que um professor de sua antiga escola, Quarry Bank Grammar School, estava utilizando as letras das músicas dos Beatles para as aulas de inglês. Então ele escreveu alguns versos totalmente sem sentido para confundir os que fossem utilizar esta canção para análise. A música é a junção de três diferentes canções que John resolveu fundir em uma. A primeira, é inspirada em uma sirene de ambulância: “I-am-he as you-are-he, “Mis-ter cit-y police-man” . A segunda, inicia-se no verso:”Sitting in a english garden…”. A terceira, é a mistura da letra que ele escreveu para confundir os gramáticos. A letra é, como um todo, sem sentido. Inúmeras interpretações vem sendo dadas ao longo dos anos para entendê-la.

Também posso lidar com o sentido da letra, até porque, deve ser da fase psicodélica dos Beatles. Fato, que por si só já permite lidar com a multiplicidade de sentidos. Pelo menos, no filme Across The Universe, Bono canta I am the Walrus dando início a fase psicodélica. Para viajar utilizam um ônibus chamado Beyond(Além). Eis a parte do verso que me interessa.

-I Am the Walrus

I am he(eu sou ele)
As you are he(enquanto você é ele)
As you are me(enquanto você sou eu)
And we are all together.(e nós estamos todos juntos)

Quanto ao conceito de Mit-Sein Heidegger distingue nossas relações com as pessoas das nossas relações com as coisas pela utilização de diferentes preposições: Dasein é mit(com), os outros, mas bei, “junto a” as coisas. (Heidegger vai explicar quem são os outros)

Mit(einander)sein não envolve o focalizar um no outro: dois caminhantes pela mesma visão são um “com o outro” sem estar prestando atenção um no outro. Mas, prestar atenção no outro pressupõe o ser-com. Mitsein requer Sein-bei, em particular a nossa habilidade de ser bei(junto a) uma e a mesma coisa. Quando duas ou mais pessoas vêem o mesmo pedaço de giz, elas não o vêem como exatamente similar; elas têm diferentes visões do mesmo giz, vendo-o de modos diferentes. A mesmidade e a exata igualdade são duas coisas diferentes. Se não pudéssemos identificar um objeto percebido por mim como o mesmo objeto percebido por você, não poderíamos nos comunicar ou reconhecer um ao outro como pessoas. Até mesmo o desacordo pressupõe o acordo com relação à coisa sobre a qual discordamos.

Talvez, por isso, como diria William Blake:”A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Na clara tentativa de explicar, a partir de dois seres da mesma espécie, a possibilidade de ver um mesmo objeto de maneiras tão distintas.

Creio que quando se diz, eu sou ele, enquando você é ele, enquando você sou eu, e nós estamos todos juntos. Mostra um caminho para tolerar e reconhecer diante de uma convivência a diversidade das pessoas, sem perder de vista a característica comum a todos. Uma vez Hannah Arendt escreveu:

“A pluridade humana, condição básica da acção e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferença. Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gerações vindouras. Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da acção para se fazerem entender.” Condição Humana

Somos todos iguais e, ao mesmo tempo, tão diferentes por mais paradoxal que possa ser. Irracionalmente nos utilizamos de rótulos que acabam por limitar a percepção humana e restringir a tolerância numa convivência pacífica. Sempre estamos diante de algum interesse, seja ideológico, ou simplesmente a vontade pela vontade de simplesmente se ter razão. Esquecemos que somos iguais, e nossas diferenças não servem para acentuar uma desigualdade, mas sim melhorar nossa convivência diante de um discurso autêntico que se volte para ação.

Dando continuidade, Heidegger trata de elucidar a relação dos objetos(entes) que mantém com o Dasein, mostrando a conceito de estar-a-mão e do estar-aí dos objetos. Mas, chama a atenção, para o ente que não se submete a utilidade e as coisas. Mas, sim, que deixado em liberdade, juntamente com o Dasein, simplesmente é, ou existe.

Depois, Ser e Tempo mostra o conceito “dos outros” para compreensão do Mit-Sein. O conceito de “os outros” recai sobre a parte da igualdade de que Arendt escreve, só que Heidegger fala também do co-estar, que representa estar no meio de outros de uma mesma espécie. “Co-estar” significa, pois, estar com outros no mesmo mundo, e é uma estrutura de cada Dasein. Todo Dasein individual está-com-outros-no- mundo; a esta estructura ontológica é o que se chama co-estar. Do que adianta estar em meio aos outros se não reconhecemos diferenças? Essa impossibilidade de reconhecimento apenas acentua a incapacidade que o ser humano tem de se colocar na realidade dos outros. Não apenas conhecê-la, mas, sobretudo, experenciá-la ou vivê-la.

Mit(einander)sein significa o conviver, o estar uns com os outros. Deve distinguir-se, pois, cuidadosamente este conviver, que é eminentemente fático, da co-existência, que indica o existir dos outros Dasein.

Por ejemplo, el campo a lo largo del cual salimos a caminar se muestra como pertenencia de tal o cual, y como bien tenido por su dueño; el libro que usamos ha sido comprado donde…, regalado por…, etc. La barca anclada a la orilla remite, en su-ser-em-sí, a un conocido que hace sus viajes en ella, pero también, como “embarcación ajena”, señala hacia otros.

Estos otros que así “comparecen” en el contexto de útiles a la mano en el mundo circundante, no son añadidos por el pensamiento a una cosa que inmediatamente sólo estuviera-ahí, sino que esas “cosas” comparecen desde el mundo en que ellas están a la mano para los otros, mundo que de antemano ya es siempre también el mío. En el análisis que hemos hecho hasta ahora, el ámbito de lo que comparece dentro del mundo fue reducido primeramente al útil a la mano o bien a la naturaleza puramente presente, esto es, a entes que no tienen el carácter del Dasein. Esta limitación era necesaria no sólo para simplificar el desarrollo, sino, sobre todo, porque el modo de ser del Dasein de los otros que comparecen dentro del mundo se distingue del estar a la mano y del estar-ahí.

El mundo del Dasein deja, pues, en libertad un tipo de ente que no sólo es enteramente diferente del útil y de las cosas, sino que, por su modo de ser de Dasein, y en la forma del estar-en-el-mundo está, él mismo, “en” el mundo en el que al mismo tiempo comparece intramundanamente. Este ente ni está-ahí ni es un ente a la mano, sino que es tal como el mismo Dasein que lo deja en libertad también existe y existe con él. Si se quisiese, pues, identificar el mundo en general con el ente intramundano, habría que decir: el “mundo” es también Dasein.

Pero, la caracterización del comparecer de los otros — se dirá — vuelve a tomar como punto de referencia al Dasein cada vez propio. ¿No empieza también ella destacando y aislando al “yo” de tal manera que luego será necesario buscar uma vía para pasar desde este sujeto aislado hacia los otros? Para evitar este malentendido será necesario considerar en qué sentido se habla aquí de “los otros”. “Los otros” no quiere decir todos los demás fuera de mí, y en contraste con el yo; los otros son, más bien, aquellos de quienes uno mismo generalmente no se distingue, entre los cuales también se está. Este existir también con ellos no tiene el carácter ontológico de un “co”-estar-ahí dentro de un mundo. El “con” tiene el modo de ser del Dasein; él “también” se refiere a la igualdad del ser, como un estar-em-el-mundo ocupándose circunspectivamente de él. “Con” y “también” deben ser entendidos existencial y no categorialmente. En virtud de este estar-em-el-mundo determinado por el “con”*, el mundo es desde siempre el que yo comparto con los otros. El mundo del Dasein es un mundo en común [Mitwelt]. El estar-en es un coestar com los otros. El ser-em-sí intramundano de éstos es la coexistencia [Mitdasein]. **

Pero — se dirá — la expresión “Dasein” muestra con claridad que este ente “por lo pronto” es irrespectivo a otros, aunque sin duda también pueda estar ulteriormente “con” otros. Sin embargo, no debe pasarse por alto que empleamos el término “coexistencia” para designar aquel ser con vistas al cual los otros son dejados em libertad dentro del mundo. Esta coexistencia de los otros queda intramundanamente abierta para un Dasein y así también para los coexistentes, tan sólo porque el Dasein es en sí mismo esencialmente coestar [Mitsein]. La afirmación fenomenológica: el Dasein es esencialmente coestar, tiene un sentido ontológico-existencial.

No se pretende constatar en forma óntica que yo no estoy fácticamente solo, sino que también están-ahí otros de mi propia especie. Si algo así se quisiera decir con la frase que el estar-em-el-mundo del Dasein está esencialmente constituido por el coestar, el coestar no sería una determinación existencial que por su forma de ser, le correspondiese al Dasein desde sí mismo, sino una condición que surgiria cada vez por la presencia de los otros. El coestar determina existencialmente al Dasein incluso cuando no hay otro que esté fácticamente ahí y que sea percibido.

También el estar solo del Dasein es un coestar en el mundo. Tan sólo en y para um coestar puede faltar el otro. El estar solo es un modo deficiente del coestar, su posibilidad es la prueba de éste. Por otra parte, el hecho de estar solo no se suprime porque un segundo ejemplar de hombre, o diez de ellos, se hagan presentes “junto” a mí. Aunque todos éstos, y aún más, estén-ahí, bien podrá el Dasein seguir estando solo.

El coestar y la facticidad del convivir no se funda, por consiguiente, en um encontrarse juntos de varios “sujetos”. Sin embargo, el estar solo “entre” muchos tampoco quiere decir, por su parte, en relación con el ser de los muchos, que entonces ellos solamente estén-ahí. También al estar “entre ellos”, ellos co-existen; su coexistencia comparece en el modo de la indiferencia y de la extrañeza. Faltar y “estar ausente” son modos de la coexistencia, y sólo son posibles porque el Dasein, en cuanto coestar, deja comparecer en su mundo al Dasein de los otros. Coestar es una determinación del Dasein propio; la coexistencia caracteriza al Dasein de los otros en la medida en que ese Dasein es dejado en libertad para un coestar mediante el mundo de éste. El Dasein propio sólo es coexistência en la medida en que, teniendo la estructura esencial del coestar, comparece para otros.

E o que isso tudo tem haver com a tolerância? Bem, Dasein enquanto permanece com outros no mesmo mundo, ou seja, co-estar, deixa comparecer em seu mundo o Dasein dos outros. Quando falo Dasein aqui, apesar de reconhecer que este termo pode ter várias interpretações ao longo da obra de Heidegger, assumo seu significado como ser humano. Logo, a co-existência caracteriza o Dasein dos outros na medida em que este é deixado em liberdade para estar com os outros no mundo. Já é um começo para a incapacidade de se experenciar a realidade em que se vive um semelhante. Sei também que as experiências são de cunho existencial, quero dizer, a experiência só é significativa se vivenciada, não basta alguém relatar o que se viveu.

Meu objetivo é, ante tantas diferenças postas, dar liberdade a um indivíduo possibilitando que ele possa escolher ser o que ele quer garantindo meios para isso. Tolerar esse modo de ser na atualidade é por demais complicado. Pois, na maioria das vezes se acredita, de forma veemente, em correntes ideológicas que resguardam perante “ismos” ou “istas” formas já preconcebidas de estabelecer meios para uma igualdade. Como se essas ideologias fossem uma forma de um ente-a-mão para solucionar problemas da convivência humana.

Posso não acreditar em marxistas, socialistas, mesmo assim, respeito suas opções. Entretanto, não entendo quando marxistas pegam armas, se auto-denominam com siglas como as FARC e ainda assim conseguem manter seus ideais de igualdade. Ou, quem sabe porque todo socialista quando sobe ao poder quer permanecer nele pelo resto da vida, que o diga Cuba.Voltando, necessário fornecer condições para que se possa ser. Que haja consciência da opção que se está fazendo, ou melhor dizendo que haja uma responsabilidade em tal escolha. Dizer isso, não é simplesmente mostrar prós e contras, é saber as repercussões de sua atitude. É mostrar o que torna indiferente as pessoas diante de certas situações esdrúxulas do mundo. Ou, aceitar tais situações como normais. Talvez, por isso viver seja difícil e o é conviver ainda mais.A sociedade não toma consciência do que a torna indiferente a suas mazelas, tudo fruto de uma absolutização da moderna subjetividade, a centralização de todos os problemas no “Führersein” de cada homem. Uma filosofia como a de Heidegger, que indaga sobre o sentido do ser e sobre o homem, descobre as tendências subjetivas ali subrepticiamente presentes. Vem à luz, através disto, em que medida, de fato, o “mundo” dos práticos da onda de transformações é interpretado, consciente ou inconscientemente, mas não “suficientemente” interpretado. De Marx a qualquer filosófo da atualidade, muita coisa foi dita, que eventualmente pode ser válida, mas que joga dentro dos estreitos quadros de uma ideologia.E quando isso tudo terá um fim? Quando houver um acordo em “deixar ser”, colocando de lado as tendências subjetivamente subrepitícias no discurso e da ação disposta a concretizá-lo. De modo que uma solicitude tal faça o homem comparecer no deixar ser.
And when the broken hearted people
Living in the world agree,
There will be an answer,
let it be.