Gostaria de contar uma história sobre uma palavra constante em todosos momentos. Nela há um desejo incontrolável, intenso e imprevisível pelo que se faz sentir. A idiossincrasia gostaria de realizar tudo que se dispôs a fazer. Contudo, existia um impasse no seu querer, uma pequena particularidade. O tempo não deixava seu querer coadunar-se com o acontecer das coisas.
Possuía muitas facilidades aos olhos dos demais, menos no que ela gostaria de conquistar, de nada servia suas conquistas para o novo, este era o seu grande calo. Tudo que já havia conquistado, ou conquistaria não serviria para novas conquistas. Seu impressionar teria de ser feito do zero, a partir de si mesma. Como atrair a atenção com sua sutileza mostrando apenas o que importa e quase ninguém dá valor? E, ainda assim, ser verdadeira.
Talvez, resida neste ponto toda a sua raridade. Recomeçar sempre do zero, deixando tudo que havia sido conquistado de lado, é mais do que um desafio. Que valor há nisso? O que faz pensar que exista algo que valha a pena? A idiossincrasia sempre procurava provar seu valor. Das formas mais inusitadas com uma pitada de irreverência. Dentro de si acreditava que podia ser um catalisador. O zero em si mesmo é a negação de si próprio, entretanto três zeros a direita com um cinco a esquerda tem-se cinco mil. A idiossincrasia prova do seu valor a tudo e a todos, mas poucos percebiam o que de fato ela proporcionava em seu modo de ser. Catalisar as coisas era seu maior objetivo.
Do nada a idiossincrasia acompanhada da catarse catalisa mais do que um solipsismo. Pode ser o sonho que se faz realidade. A idiossincrasia acompanhada da percepção é como uma janela aberta para o que ninguém viu antes. A idiossincrasia acompanhada do reflexo faz catalisar aquela boa vibração que sentimos quando algo corresponde as nossas expectativas. A idiossincrasia ao lado da amizade se torna mais humana ao catalisar o amor fraterno que aceita sem pedir nada em troca. A idiossincrasia ao lado do amor brilha por demonstrar sua força diante do cansaço em recomeçar a busca por novas conquistas.
A idiossincrasia como a particularidade das particularidades atrai por sua peculiaridade. Nesse mundo invertido, e que ninguém reparou sua maior atração é pelo diferente. Acredita ser um privilégio encontrar quem possa fazer a diferença. Seja no pensar de forma sincera e sem medo de externar suas opniões críticas, seja de forma originária. Como o arquiteto Gaudí se inspirana originalidade das coisas:
“La originalidad consiste en retornar al origen; de manera que el original es aquel que con sus medios retorna a la simplicidad de las primeras resoluciones”.
A idiossincrasia procura a originalidade para abraçar a simplicidade. No fundo, as coisas mais difíceis de dizer ou descrever são as mais simples e exigem personalidade para serem ditas. No fundo a idiossincrasia tem apenas um desejo ver e ser vista apenas pelas pessoas que valem a pena. Que não se contentam em apenas usar palavras para impressionar, mas que de fato façam acontecer. Não precisa transformar o amanhã em hoje, mas que o hoje seja tão intenso quanto o a esperança do por vir do amanhã.
Na estrada que escolheu percorrer a idiossincrasia encontra provisoriamente portas fechadas, alguns objetos não caem mais no seu colo como antigamente. O universo disse a ela para usar mais sua inteligência. Os ventos da mudança não a intimidam. Não serão algumas contigências imprivisíveis que irão pará-la. Das contigências há a adrenalina de sempre lidar com o desconhecido e agradece pela oportunidade de sair da mesmice.
A idiossincrasia é esta menina de vestidinho azul, com cabelo solto, com olhos sinceros. Ela não teme a batalha do tempo ao aliar o seu querer ao tempo do acontecer. Pois, não teme perde. A cada etapa do seu caminho encontrar na meta escolhida o desfrutar do trabalho de sua grande obra sendo realizada a cada dia. A cada passo dado não se acanhe diante de algum medo, e que saiba encontrar prazer nas adversidades de sua juventude. Seu maior sonho é poder contar que o privilégio encontrado chegou antes de sua meta ser conquistada.
Ao som de: Frejat – Amor pra Recomeçar









