Posts com Tag ‘Ser’

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Algo fue Mío

Janeiro 16, 2009

No soy nada
Si algo tuve, ya me lo han quitado
No tengo nada si algo fue mio
Ya me lo han robado

Quizá no me queda nada
Una nada que se esconde en el hueco
De mi corazón

Quien me ha dado esto
Que no pedí
Nunca fui
Lo que quieren de mí

Quien me ha quitado esto
Todo lo que fui
Nunca fui lo que quieren de mí
Nunca fui lo que quieren de mí

No mienten aun
Sé quien soy
Me han hecho aun lado
No, nada soy
Por que del mundo me han desterrado

Quizas no me queda nada
Un espia que se esconde en el hueco
De mi corazón

Quien me ha dado esto ?!?!?!

Julieta Venegas – Algo fue mío

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This time, this time, Turning white and senses dire…

Dezembro 21, 2008

Ensaio Sobre a Cegueira (BlindNess)

I dont wanna know what you look like…
And how can we know which other.
I know that part inside of you with no name
and thats what we “are”, right ?!?!?

Eu não quero saber como você se parece…
E como poderemos nos conhecer.
Eu conheço aquela parte dentro de você sem nome
E isto é o que nós “somos”, certo ?!

O que realmente importa ver?
Ao som de: Beirut – My Family’s Role In The World Revolution

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Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu…

Novembro 10, 2008

… conhece a ti mesmo, isto é , conhece o que tu és e sê como tu te reconheceste…

Martin Heidegger em Introdução a Filosofia
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Nesse jogo de reflexos a certeza me distrai… part 2

Agosto 24, 2008


A linha que divide a maldade da franqueza, nas nossas relações cotidianas, se chama intenção. Quais são nossas intenções por detrás das palavras aparentemente sinceras que proferimos?
Ajudar o outro? Abrir seus olhos? Mostrar-lhe um novo ponto de vista? Ou apenas humilhar o outro para disfarçar nossa própria pequenez? Ou tudo isso ao mesmo tempo? Com um naco de reflexão, aposto que manteríamos nossas bocas bem mais fechadas.

Stella Florence (http://itodas.uol.com.br/)

Heráclito também disse quase a mesma coisa: “A verdadeira constituição das coisas gosta de ocultar-se.” Quando ele diz a verdadeira constituição refere-se ao Ser, tal qual feito por Heidegger, quando afirma: “(…) a analítica existencial do Dasein mobiliza igualmente uma tarefa, cuja urgência não é menor que a questão do ser, a saber, a liberação do a priori, que se deve fazer visível, a fim de possibilitar a discussão filosófica da questão ‘o que é o homem.”

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Amadurecência

Julho 8, 2008


Sina nossa
minha senhora,
És de lua e beleza
És um pranto do avesso
És um anjo em verso
em presença e peso

atrevo me atravesso
pra perto do peito teu
teu sagrado em tua besteira
teu cuidado em tua maneira
de descordar da dor
de descobrir abrigo
entre tanto amor
entretanto a dúvida

a música que casou
com um certo surto que não veio
há uma alma em mim,
há uma calma que não condiz…
com a nossa pressa!
com o resto que nos resta
lamentavelmente eu sou assim…
um tanto disperso
Às vezes desapareço
pois depois recomeço
mas antes me esqueço

nossa sina é se ensinar…
a sina nossa é…
nossa sina é se ensinar…
a sina nossa…

minha senhora diz:
bons ventos para nós
para assim sempre
soprar sobre nós…

Teatro Mágico – 2° Ato

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Come to decide that the things that I tried were in my life just to get high on.

Maio 5, 2008


“No mais profundo de si mesmo, o nosso ser
rebela-se em absoluto contra todos os limites.

Os limites físicos são-nos tão insuportáveis quanto
os limites do que nos é psiquicamente possível:
não fazem verdadeiramente parte de nós.
Circunscrevem-nos mais estreitamente do que
desejaríamos.

Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.

Se você quer uma vida, aprenda … a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!”

(Lou Salomé)

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The good times are all gone So I’m bound for moving on

Abril 18, 2008

A Inteligência não é o Fundo do nosso Ser


A inteligência não é o fundo do nosso ser. Pelo contrário. É como uma pele sensível, tentacular que cobre o resto do nosso volume íntimo, o qual por si é sensu stricto ininteligente, irracional. Barrès dizia isto muito bem: L’intelligence, quelle petite chose à la surface de nous. Aí está ela, estendida como um dintorno sobre o nosso ser mais interior, dando uma face às coisas, ao ser - porque o seu papel não é outro senão pensar as coisas, pensar o ser, o seu papel não é ser o ser, mas reflecti-lo, espelhá-lo. Tanto não somos ela que a inteligência é uma mesma em todos, embora uns dela tenham maior porção que outros. Mas a que tiverem é igual em todos: 2 e 2 são para todos 4. Por isso Aristóteles e o averroísmo acreditaram que havia um único noûs ou intelecto no Universo, que todos éramos, enquanto inteligentes, uma só inteligência. O que nos individualiza está por de trás dela.


Ortega y Gasset, in ‘O Que é a Filosofia?’
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Djô Djô, nada pára, nada espera Djô Djô, que o destino assim quisera…

Março 18, 2008

Onde os Fracos Não Tem Vez seria uma catarse? Um filme, aparentemente sem sentido, com diálogos que nos últimos 30 min dão uma idéia de serem jogados sem um devido contexto e, ainda assim, ganhar 4 estatuetas do Oscar. Tem alguma coisa errada, certo?

Bem, eu disse aparentemente. O filme, definitivamente, é incomum, abre a porta para entrada das raridades que não são encontradas em qualquer esquina. Seus diálogos revelam a condição humana de uma forma ímpar, o que faz despertar o melhor dos juízos estéticos em quem o interpreta.

Definitivamente, a arte custa a se manifestar. Leva tempo para ser percebida. O que dizer então do próprio Tempo ser revelado na arte. Esse é a grande história do filme. Toda história é pautada no Tempo que afronta o ser humano. É algo que nos impele a pensar de um modo não utilitarista, mas de uma forma a desvelar como isso atinge todas as pessoas se colocando na realidade delas.

Digo isso, pois acompanhar o matador, Anton Chigurth (Javier Bardem), em sua odisséia é fazer uma analogia ao titã Cronos. Este era o mais novo dos Titãs. Filho de Gaia, a Terra, e de Urano, o céu estrelado. Foi o único a escutar o pedido de sua mãe, quando Gaia, a fim de pôr termo à sua própria escravatura e à dos seus filhos, decidiu armá-lo para que ele vencesse. O mito diz que cada vez que Gaia tinha um filho, Urano o devolvia ao seu ventre. Cansada disto, Gaia tramou com seu filho Cronos. Ela fez de seu próprio seio uma pedra em forma de lâmina e a deu para Urano. Cronos esperou que Urano, seu pai, dormisse e o castrou.

Cronos em relação a existência representa o tempo mensurado como dias, meses e anos. É finito, metódico, controlado, igual para todos. É o tempo linear, que cobramos aos outros e do qual dizemos que «tempo é dinheiro». É o tempo do calendário, o tempo do relógio. Cronos era pai de Zeus. Como Cronos que destronou o pai, Zeus também o fez. Cronos fora alertado uma vez que um possível filho seu o destronaria por isso matava todos os seus filhos.

Anton Chigurth mata todos no filme, tal qual Cronos o fazia. Basta ver o rosto de Chigurth para perder a vida. Chigurth pode também ser compreendido como um retrato do esteriótipo da violência em que as pessoas reagem a um indivíduo mal caratista. Mesmo assim, tal situação ainda evoca o tempo. Mais uma vez: o Tempo mostra quem é quem.

No caminho da vida de um ser humano, o encontro com seu próprio Tempo e mal caratistas duassão coisas muito comuns. Quero dizer, o filme pode desvelar como a condição humana pode ser ora cruel em sua violência, ora igualitária por mostrar que todos têm que enfrentar a responsabilidade de seu próprio Tempo. Nisto reside a experiência estética do filme. Como pode diante de tais paradoxos haver uma beleza tão singular?

Sem dúvida, o filme é um daqueles objetos estéticos construídos para proporcionar à quem assiste uma experiência singular. Ele permite, assim como os objetos estéticos, a experiência do belo, do expressar, do sentir.

Em essência, a experiência estética faz vibrar nossos sentimentos, ou melhor, eles são tocados, despertados pelas formas do objeto e então vibram, dando-se a conhecer a nós mesmos. Como quando enfrente a um espelho, onde apreendemos nossa imagem e desvelamos a aparência face ao objeto estético, descobrimos aspectos da vida interior, vindo a conhecer melhor a nossa realidade. Como diria Neruda: “Amor é que nem espelho tem que ter REFLEXO”.

Esse reflexo é o que faz da perseguição entre Chigurth e Llewelyn Moss (Josh Brolin) tão emocionante. O Tempo cronológico atrás das coisas mundanas e fugazes. Grande parte da maioria está a correr atrás de algo antes que seja tarde sem respeitar nenhum princípio. Como ponto de equilíbrio está o Sheriff (Tommy Lee Jones) que sente o peso de seu próprio Tempo ao questionar o que está acontecendo com o mundo. Ao Sheriff cabe fazer a ponte entre o sentir dos efeitos do tempo Chigurth e as indagações do mundano Llewelyn.

No início do próprio filme ele questiona um jovem que tinha um único próposito matar alguém. Até mesmo na cena do café em que um subalterno seu acaba rindo de tanta desgraça estampada em um jornal. Pois, nesta cena o Sherriff presta sua solidariedade ao dizer que acontece o mesmo com ele. Tanta indiferença serve para mostrar a comodidade em aceitar como normal o que está invertido ou esquecido no mundo. Em outro momento conversando com outro xerife chega-se conclusão de que a desgraça do mundo atual são as drogas e o dinheiro. Todas esses diálogos fazem o Sheriff indagar pelo mundo.

Depois dessa conclusão, há o começo da parte mais significativa do filme, ou pelo menos aquela em que todos pensam não haver sentido algum. São os diálogos do filme que fazem toda uma diferença. O xerife também conversa com um velho em uma cadeira de rodas. A parte principal do diálogo começa assim:

Me disseram que você está largando o cargo
(…)
Aquele homem que atirou em você morreu na prisão.(xerife)
Em Angola, sim.
O que faria se ele fosse solto?(Xerife)
Ah, eu não sei. Nada. Não teria motivo.

Estou surpreso de ouvir você dizendo isso.(Xerife)

Enquanto você gasta seu tempo tentando retomar algo que foi tirado seu, há mais saindo pela porta.

Após algum tempo, você apenas coloca um torniquete, e pronto.

(…)
Loretta me disse que você está largando o cargo. Por que está fazendo isso?
Eu não sei.(Xerife)
Me sinto ultrapassado(Xerife)
Eu sempre pensei que, quando envelhecesse, Deus entraria na minha vida.ELE não entrou.E eu não o culpo.(Xerife)

Se eu fosse ele, teria a mesma opinião que ele tem de mim.(Xerife)
Você não sabe o que ele pensa.

(…)
O que você tem, não é nada novo.
As pessoas desse país são difíceis de lidar.

Você não pode parar o que está vindo.

Nada mais vai esperar por você.
É inútil. (Thats vanity)

O xerife claramente sente os efeitos do Tempo diante de sua vida. Questiona a partir da existência a responsabilidade de seus atos e pergunta por que Deus não entrou em sua vida? Ele faz menção ao existencialismo, pois:

“Dostoievski escreveu: «Se Deus não existisse, tudo seria permitido». Aí se situa o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo é permitido se Deus não existe, fica o homem, por conseguinte, abandonado, já que não encontra em si, nem fora de si, uma possibilidade a que se apegue. Antes de mais nada, não há desculpas para ele. Se, com efeito, a existência precede a essência, não será nunca possível referir uma explicação a uma natureza humana dada e imutável; por outras palavras, não há determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Se, por outro lado, Deus não existe, não encontramos diante de nós valores ou imposições que nos legitimem o comportamento. Assim, não temos nem atrás de nós, nem diante de nós, no domínio luminoso dos valores, justificações ou desculpas.” (Vergílio Ferreira, in ‘O Existencialismo é um Humanismo’)

Com relação ao tempo em sua existência Heidegger uma vez disse que não se podia afirmar o “que” o ser humano é, mas sim quem ele é. Quis dizer que a essência humana não acontece fora da existência. Nessa corrida contra o tempo da vida de alguns ele acaba por se perder diante de uma queda (Verfallen). Ocorre a queda devido a busca de algo não essencial a existência e sem valor em si mesmo, ou seja, banalidades . Por isso, enquanto se gasta o Tempo em retomar o que lhe foi tirado há mais saindo pela porta. Alguns dizem, para amenizar o desgaste dessa corrida, que as coisas só acontecem com o Tempo. Se não aconteceu é porque não tinha de ser.

Em Tempo e Ser, Heidegger diz:

Nomeamos o tempo, quando dizemos: “Cada coisa tem seu tempo”. Isso quer dizer: cada coisa, que sempre é a seu tempo, cada ente vem e vai em tempo certo e permanece por algum tempo durante o tempo que lhe é dado por parte. Cada coisa tem seu tempo.”

Em suma, não se diz “nada”, quando se afirma que as coisas só vão vir “no” ou “com” o tempo. É uma ilusão pensar que isso é uma grande descoberta, ou algo que serve de conforto a inquietudes. Quando se diz que as coisas não tinham de ser é para expressar uma visão conformista para perdedores.

Quando Ellis diz: que não se pode parar o que está vindo e nada mais vai esperar pelo Xerife significa o próprio Tempo reverenciando as mudanças trazidas pelo mesmo no que lhe é peculiar, o passageiro. E isto, não é nada novo, apenas se está dando nome ao tempo. Quando não se pensa o mais digno de ser pensado(o SER) o tempo se perde. O filme também é sobre esta corrida e o tempo que foi perdido em banalidades da modernidade que os valores que deveriam ser lembrados, mas são esquecidos.

Uma prova disso é Chigurth, quando decide a vida humana no cara e coroa. A vida vale mais do que uma moeda sendo jogada para o alto. Algumas vezes, sem nem deixar o oponente saber o que está em jogo. Como uma forma de acabar com tamanha banalidade, do comum já-desde-sempre-dito, a esposa de Llewelyn Moss (Josh Brolin) tenta fazer o assassino tempestivo resgatar os valores esquecidos que impedem de ver a tomada de responsabilidade por seus atos. Quando diz que quem escolhe é a própria pessoa:

Eu sabia que isto não tinha acabado.
Eu não tenho o dinheiro…

(…)
Você não tem motivos para me machucar.
Não(Chigurth)
Mas eu dei minha palavra(Chigurth)
Deu sua palava?
Ao seu marido.(Chigurth)
Isso não faz sentido.
Deu a sua palavra a ele que me mataria.
Seu marido teve a chance de salvá-la.(Chigurth)
Mas ele usou você para salvar a si próprio.(Chigurth)
Não foi assim.
Não, como você está dizendo.
Você não precisa fazer isso.
Todos sempre dizem a mesma coisa.(Chigurth)
O que eles dizem?

Eles dizem “você não precisa fazer isso”.

E Chigurth resolve jogar a moeda.

Isso é o melhor que eu posso fazer.(Chigurth)
Escolha.(Called) (Chigurth)

Eu sabia que você era louco quando o vi sentado aí.

Eu sabia exatamente o que me esperava.

Escolha.(Chigurth)

Não, Não vou escolher.

A moeda não decide nada.

É você.

Por último, vem o diálogo do sonho do Xerife, que tenta equilibrar a responsabilidade dos atos de uma vida construída a partir de um fazer pelas próprias mãos (Eigentlichkeit) e um mundo de desajustes. O xerife velho e aposentado compara seu pai, eternamente jovem, consigo mesmo e a procura de um ponto imutável no tempo onde possa segurar a sua vida diante de tudo que é passageiro.

(…)
Como durmiu?
Não sei. Tive sonhos.(Xerife)
Bem, você tem tempo para sonhar agora. Algo de interessante?
Sempre são para a parte interessada.(Xerife)
Ed Tom. Eu serei discreta.
Bem, foram dois. Com meu pai. Bem peculiar.(Xerife)
Estou mais velho agora e ele sempre teve 20 anos.
Então, de certa forma, ele é o mais jovem.
De qualquer forma, não lembro muito do primeiro, mas ele me encontrou na cidade e me deu algum dinheiro.
Acho que o perdi.
No segundo, era como se ambos tivéssemos voltado ao passado.
Eu estava a cavalo, andando pelas montanhas no meio da noite. Estava frio e havia neve no chão.
Ele me passou e continuou andando. Não disse nada. Apenas passou.
Estava enrolado em um cobertor e de cabeça baixa.
E quando ele passou, vi que carregava uma tocha, como se fazia na época.
Eu podia ver a luz dentro daquela tocha. TInha a cor da lua.
E, no sonho, eu sabia que ele iria adiante, e que queria fazer uma fogueira no meio daquela escuridão e daquele frio.
E eu sabia que, a qualquer momento que eu fosse lá, ele estaria lá.
E eu acordei.
(…)

O significado de passageiro está em Tempo em Ser, onde:

“A justaposição de Tempo e Ser contém, não obstante, a indicação para discutir o Tempo no que lhe é próprio, com o olhar dirigido para o que foi dito do ser. Ser significa presentar, presentificar, presença. Presença é a significação temporal do ser enquanto subsistência. Ou seja, presença é a significação do passageiro, o que passa no decurso do tempo enquanto consciência de si. Em suma, presença significa o constante permanecer, que se endereça ao homem, que o alcança e lhe é alcançado.”

Os sonhos mostram o Xerife na busca de algo subsistente a tantas mudanças e que perdure no tempo, seja no passado, ou no futuro. Em ambos não há a “presença”(o constante permanecer) do que ele procura. Mas, é no seu tempo presente enquanto ele toma consciência de si que encontra seu ponto de subsistência ajudando-o a manter seus valores e iluminar o caminho diante da perseguição entre o Tempo matador de Chigurth e o mundano de Llewelyn.

O filme é a catarse do Tempo. Aquele Tempo cronológico que se perde diante das coisas fugazes que apenas prejudicam o enquanto da tomada de consciência em si da condição humana. Em suma, impedem o ser humano de buscar sua ontologia e o seu querer vir a Ser. Enquanto não se deixar Ser o que alguém almeja na vida haverá um único problema: tudo na vida passa, mas os atrapalhos do passageiro deixam marcas que ficam na presença do Ser impossibilitado. Diante de tantos atrapalhos experenciados a única coisa que permanece é o ser humano tentando Ser refletido ou vibrar nas possibilidades de manter seus valores que formam as suas idiossincrasias em simplesmente SER.

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Um cego na fronteira, filósofo da zona Me disse que era um dervixe Eu disse pra ele, camarada Acredito em tanta coisa que não vale nada

Fevereiro 27, 2008

As Perguntas Verdadeiramente Importantes

As perguntas verdadeiramente importantes são as que uma criança pode formular – e apenas essas. Só as perguntas mais ingénuas são realmente perguntas importantes. São as interrogações para as quais não há resposta. Uma pergunta para a qual não há resposta é um obstáculo para lá do qual não se pode passar. Ou, por outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há resposta que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência.
Milan Kundera, in “A Insustentável Leveza do Ser”
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Think for Yourself!

Fevereiro 16, 2008

Is there anybody going to listen to my story, All about the girl who came to stay?


Há alguém que irá ouvir a minha história? É, apenas, uma pergunta que convida para despertar o interesse de algo a ser dito. Eu sei e compreendo que os Beatles foram os caras certos no tempo certo. Ninguém conseguiu fazer melhor o que eles fizeram. Contudo, como pode ainda hoje suas canções serem tão bem ordenadas a ponto de se fazer um filme como Across the Universe despertando uma catarse?

Estou a falar de músicas feitas em 1960, já passamos do ano 2000 e os Beatles ainda não foram esquecidos, pelo contrário se mantém atuais. Across the Universe trata não apenas de um filme qualquer, nem de um conjunto de video-clipes. Mas sim, uma forma de unir a beleza da poesia à vida do Homem em sua facticidade. Esta compreendida como a situação característica da existência humana que, lançada ao mundo, está submetida às injunções e necessidades dos fatos. Através da música se dá a sensibilidade de um momento vivido. E isto é feito durante quase todo o filme.

Meu objetivo é simplesmente achar alguma conexão de sentido entre as músicas dos Beatles e o que disse um filósofo chamado Martin Heidegger. Sem prejudicar o sentido da poesia. Analisarei os versos que acho que dão pra contar alguma história e ao mesmo tempo fazer um paralelo com o filme Across the Universe. Vou por partes, pois a tarefa é longa. Muitas músicas para comentar e muitos conceitos para explicar. Mas, não é impossível, “There’s nothing you can do that can’t be done. It´s easy” (All you need is love)

Bem, esse verso é da música Girl (Is there anybody going to listen to my story, All about the girl who came to stay?) feita contra os valores ortodoxos de uma tradição. Ser contrário a algo não deixa de ser uma forma de (re)pensar as coisas, quebrar paradigmas, ou até mesmo adquirir uma nova percepção dos fatos sem cair em lugares comuns. Para realizar essa forma de (re)pensar me valho de um verbo. O verbo “SER”. No filme, Girl serve de convite para contar os momentos bons que Jude guardou na memória ao lado de Lucy na América.

Mas, eu falava do verbo ser. Na história do verbo “Ser”, tudo começa, quando Heráclito disse: há ser e não o nada? Pronto, estava feito o primeiro Homem que percebeu as imbricações de tal verbo.

O verbo “ser” exprime ação pura como tal, que os demais verbos/ações pressupõem e significam, uma possibilidade de participação sempre relativa a um sujeito, que atua consumando. Pode empregar-se como verbo entitativo ou copulativo, significando no primeiro caso o mesmo que existir e, no segundo caso, a relação de pertença lógica entre um sujeito e um predicado, ocorrendo sobretudo nos juízos de talidade(talidade significa as coisas tais como realmente são), em que se afirma ou nega certas propriedades de um sujeito qualquer.

Que viajem, não !? O ser pode ter o uso predicativo quando se quer atribuir uma qualidade a um ente. Por exemplo, Eu sou/era sagaz. Pode ter o sentindo existencial denotando existência, enquanto realidade vivida. “Penso, Logo sou”. E ainda tem a função auxiliar tal qual usamos nas línguas inglesa e alemã.

Heidegger sempre refere-se ao ser nos sentidos predicativo e existencial. O ser, argumenta Heidegger, é muitas vezes considerado como a mais vaga das abstrações, o aspecto mais geral de tudo que é. Observa Heidegger, que embora a palavra ser seja indeterminada quanto ao seu significado, ela sempre é por nós compreendida de maneira determinada. Se assim não fosse, nunca poderíamos dizer e saber se algo “é” ou “não é”.

O ser se mostra sempre como algo determinado, ele se mostra sempre através do ente, embora nele não se esgote. Perceba, Ele é inteligente. Com a observação de Heidegger, ser na frase “ele é feio”, o verbo ser sozinho deixaria a frase indeterminada “Ele é”, mas por ter um complemento é compreendido quando sabemos o significado de feio. O ente é tudo aquilo que de que falamos, pensamos, aquilo com respeito ao qual nos comportamos desta ou daquela maneira; ente é também o que nos mesmos somos, e o modo como o somos.

Para Heidegger, a história da metafísica ocidental é a história do encobrimento do ser, isto é, da busca de um sentido fixo para o ser. Este encobrimento do ser manifesta-se no fato de que, para a metafísica, o ser é uma noção óbvia que não tem necessidade de ulteriores explicações. Isto equivale a afirmar que o ser é uma noção extremamente vaga que fica indeterminada.

Nunca se pode dizer que o “ser” é. Seria a própria entificação dele, e além do mais uma tautologia sem precedentes. Heidegger encontra um novo modo para dizer isso: “Ao mesmo tempo, emprega-se o “es gibt” (se dá), para evitar, por enquanto, a locução: “O Ser é”; pois, o É se diz comumente daquilo que é. E isso chamamos de ente.

Ora, o Ser não é o ente. Por isso, se diz o É, sem ulteriores explicações, do Ser, então facilmente se entende o Ser como um ente, à maneira dos entes conhecidos, que como causa produzem efeito ou como efeito são produzidos.” Percebe-se que o ser é insuscetível de conceituação.

Bem, até agora se disse muito e quase nada sobre o ser. Verbo idiossincrático por vida.

Contudo, para perceber o ser precisa-se mudar alguns paradigmas, até mesmo a forma de ler, e significados usuais das palavras. Heidegger sempre cria novos significados para as palavras de nosso cotidiano. Entendê-lo, é também estar aberto as essas mudanças. No filme este aviso vem na canção With a Little Help from my Friends, logo após um leve sarcasmo sobre o amor a primeira vista.

Would you believe in a love at first sight
Yes, I’m certain that it happens all the time
What do you see when you turn out the light
I can’t tell you but I know it’s mine,
 

De fato, o que você vê quando apaga a luz ? O ser só se manifesta em clareiras, no Ereignis. O ser está sempre em constante velamento e desvelamento. Esse (des)velamento faz uso da fenomelogia. A fenomenolgoa analisa os fenômenos ao propiciar em um fazer o que se mostra em si Mesmo, tal como se mostra a partir De si próprio. Essa é a definição de fenomenologia dada por Heidegger.

Me interrogo, neste momento, se não estou sendo por demais fantasioso. Como uma música da década de 60 ainda pode servir de exemplo para pensar o ser? Durante um tempo pensei que estaria esticando demais o sentido da música. Mas, não é bem assim. Na poesia também se pode pensar o mais digno de ser pensado. Então, lembrei de um trecho de uma conferência de Heidegger que dizia: Qué quiere decir pensar ?

“Es la hija del cielo y de la tierra. Mnemosyne, como amada de Zeus, en nueve noches se convierte en la madre de las musas. El juego y la danza, el canto y el poema, pertenecen al seno de Mnemosyne, a la memoria. Es evidente que esta palabra es aquí el nombre de algo más que aquella facultad de la que habla la Psicología, la facultad de guardar lo pasado en la representación. La palabra memoria piensa en lo pensado. Pero el nombre de la madre de las musas no quiere decir «memoria» como un pensamiento cualquiera, referido a cualquier cosa pensable. Memoria aquí es la coligación del pensar que permanece reunido en vistas a aquello que de antemano ya está pensado porque quiere siempre ser tomado en consideración antes que cualquier otra cosa. Memoria es la coligación de la conmemoración de aquello-que-hay-que-tomar-en-consideración antes que todo lo demás. Esta coligación alberga cabe sí y oculta en sí aquello en lo que hay que pensar siempre de antemano; en relación con todo aquello que esencia y se exhorta como esenciando y habiendo esenciado. Memoria, como coligada conmemoración de lo que está por-pensar, es la fuente del poetizar. Según esto la esencia de la poesía descansa en el pensar. Esto es lo que nos dice el mito, es decir, la leyenda. Su decir se llama lo más antiguo, no sólo porque, según el cómputo del tiempo, es el primero sino porque, por su esencia, es, desde siempre y para siempre, lo más digno de ser pensado.”

Jude se utilizou da memória no sentido da faculdade de guardar o passado na representação. Eu a utilizarei no sentido da co-ligação da co-memoração daquilo-que-há-que-tomar-em-consideração antes de todos os demais. E o que se deve considerar ante todos os demais? O ser. Antes de tudo e de todos se “é”. Antes da diferença do vermelho e do vinho, cores muito parecidas, primeiro se é vermelho, para depois diferenciar com o vinho.

Por isso Heidegger explica que a coligação mostra e oculta em si aquilo no que há que pensar sempre de antemão. Ele está a falar do ser, ainda mais quando Memória como co-ligada a co-memoração do que está por pensar é a fonte do poetizar. Sendo assim, a fonte da poesia reside no pensar. Tento dizer, que ao analisar o verso de With a little Help from my friends, penso o ser com a ajuda da poesia sem esgarçar o sentido do verso.

Faço isso, pois, tenho idéia de que a poesia e o pensar não são nunca a mesma coisa. Mas, podem dizer o mesmo de forma distinta. Desde que a poesia tenha sua altura, do ponto de vista significativo, e o pensar seja profundo, ao buscar suas raízes na origem das coisas. Talvez, esta seja a razão do filme Across the Universe ter chamado minha atenção. Algumas das músicas dos Beatles são marcantes na vida das pessoas. Por uma razão, bem simples, elas satisfazem o desejo de estar em sintonia com a compreensão da existência humana, a partir das influências e das necessidades do que se revela no tempo. Por isso, podem ser ordenadas a ponto de constituir uma temporalidade?

There will be an answer, let it be.