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It was ” over fifty” years ago today, Sgt. Pepper taught the band to play.

março 7, 2008

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Viver é um dos verbos que tenho o cuidado de dizer ressaltar a dificuldade de sua realização. Até mesmo, uma Tia minha dizia no fim de sua vida, viver está muito difícil. Nossa língua ainda adiciona um sufixo “con” a tal verbo, tornando-o ainda mais difícil.

Conviver no sentido de estar junto a pessoas é essencial ao ser, mas ao mesmo tempo complicado.

Duas coisas me passam pela cabeça, quando penso em conviver. A primeira a música dos Beatles I am The Walrus. E o segundo o conceito de Mit-Sein que Heidegger utiliza no §26 de Ser e Tempo.

Em I am the Walrus, John Lennon escreveu parte da letra, segundo ele, em duas distintas “viagens” de ingestão de drogas. Alguns versos foram escritos após John Lennon ler que um professor de sua antiga escola, Quarry Bank Grammar School, estava utilizando as letras das músicas dos Beatles para as aulas de inglês. Então ele escreveu alguns versos totalmente sem sentido para confundir os que fossem utilizar esta canção para análise. A música é a junção de três diferentes canções que John resolveu fundir em uma. A primeira, é inspirada em uma sirene de ambulância: “I-am-he as you-are-he, “Mis-ter cit-y police-man” . A segunda, inicia-se no verso:”Sitting in a english garden…”. A terceira, é a mistura da letra que ele escreveu para confundir os gramáticos. A letra é, como um todo, sem sentido. Inúmeras interpretações vem sendo dadas ao longo dos anos para entendê-la.

Também posso lidar com o sentido da letra, até porque, deve ser da fase psicodélica dos Beatles. Fato, que por si só já permite lidar com a multiplicidade de sentidos. Pelo menos, no filme Across The Universe, Bono canta I am the Walrus dando início a fase psicodélica. Para viajar utilizam um ônibus chamado Beyond(Além). Eis a parte do verso que me interessa.

-I Am the Walrus

I am he(eu sou ele)
As you are he(enquanto você é ele)
As you are me(enquanto você sou eu)
And we are all together.(e nós estamos todos juntos)

Quanto ao conceito de Mit-Sein Heidegger distingue nossas relações com as pessoas das nossas relações com as coisas pela utilização de diferentes preposições: Dasein é mit(com), os outros, mas bei, “junto a” as coisas. (Heidegger vai explicar quem são os outros)

Mit(einander)sein não envolve o focalizar um no outro: dois caminhantes pela mesma visão são um “com o outro” sem estar prestando atenção um no outro. Mas, prestar atenção no outro pressupõe o ser-com. Mitsein requer Sein-bei, em particular a nossa habilidade de ser bei(junto a) uma e a mesma coisa. Quando duas ou mais pessoas vêem o mesmo pedaço de giz, elas não o vêem como exatamente similar; elas têm diferentes visões do mesmo giz, vendo-o de modos diferentes. A mesmidade e a exata igualdade são duas coisas diferentes. Se não pudéssemos identificar um objeto percebido por mim como o mesmo objeto percebido por você, não poderíamos nos comunicar ou reconhecer um ao outro como pessoas. Até mesmo o desacordo pressupõe o acordo com relação à coisa sobre a qual discordamos.

Talvez, por isso, como diria William Blake:”A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Na clara tentativa de explicar, a partir de dois seres da mesma espécie, a possibilidade de ver um mesmo objeto de maneiras tão distintas.

Creio que quando se diz, eu sou ele, enquando você é ele, enquando você sou eu, e nós estamos todos juntos. Mostra um caminho para tolerar e reconhecer diante de uma convivência a diversidade das pessoas, sem perder de vista a característica comum a todos. Uma vez Hannah Arendt escreveu:

“A pluridade humana, condição básica da acção e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferença. Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gerações vindouras. Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da acção para se fazerem entender.” Condição Humana

Somos todos iguais e, ao mesmo tempo, tão diferentes por mais paradoxal que possa ser. Irracionalmente nos utilizamos de rótulos que acabam por limitar a percepção humana e restringir a tolerância numa convivência pacífica. Sempre estamos diante de algum interesse, seja ideológico, ou simplesmente a vontade pela vontade de simplesmente se ter razão. Esquecemos que somos iguais, e nossas diferenças não servem para acentuar uma desigualdade, mas sim melhorar nossa convivência diante de um discurso autêntico que se volte para ação.

Dando continuidade, Heidegger trata de elucidar a relação dos objetos(entes) que mantém com o Dasein, mostrando a conceito de estar-a-mão e do estar-aí dos objetos. Mas, chama a atenção, para o ente que não se submete a utilidade e as coisas. Mas, sim, que deixado em liberdade, juntamente com o Dasein, simplesmente é, ou existe.

Depois, Ser e Tempo mostra o conceito “dos outros” para compreensão do Mit-Sein. O conceito de “os outros” recai sobre a parte da igualdade de que Arendt escreve, só que Heidegger fala também do co-estar, que representa estar no meio de outros de uma mesma espécie. “Co-estar” significa, pois, estar com outros no mesmo mundo, e é uma estrutura de cada Dasein. Todo Dasein individual está-com-outros-no- mundo; a esta estructura ontológica é o que se chama co-estar. Do que adianta estar em meio aos outros se não reconhecemos diferenças? Essa impossibilidade de reconhecimento apenas acentua a incapacidade que o ser humano tem de se colocar na realidade dos outros. Não apenas conhecê-la, mas, sobretudo, experenciá-la ou vivê-la.

Mit(einander)sein significa o conviver, o estar uns com os outros. Deve distinguir-se, pois, cuidadosamente este conviver, que é eminentemente fático, da co-existência, que indica o existir dos outros Dasein.

Por ejemplo, el campo a lo largo del cual salimos a caminar se muestra como pertenencia de tal o cual, y como bien tenido por su dueño; el libro que usamos ha sido comprado donde…, regalado por…, etc. La barca anclada a la orilla remite, en su-ser-em-sí, a un conocido que hace sus viajes en ella, pero también, como “embarcación ajena”, señala hacia otros.

Estos otros que así “comparecen” en el contexto de útiles a la mano en el mundo circundante, no son añadidos por el pensamiento a una cosa que inmediatamente sólo estuviera-ahí, sino que esas “cosas” comparecen desde el mundo en que ellas están a la mano para los otros, mundo que de antemano ya es siempre también el mío. En el análisis que hemos hecho hasta ahora, el ámbito de lo que comparece dentro del mundo fue reducido primeramente al útil a la mano o bien a la naturaleza puramente presente, esto es, a entes que no tienen el carácter del Dasein. Esta limitación era necesaria no sólo para simplificar el desarrollo, sino, sobre todo, porque el modo de ser del Dasein de los otros que comparecen dentro del mundo se distingue del estar a la mano y del estar-ahí.

El mundo del Dasein deja, pues, en libertad un tipo de ente que no sólo es enteramente diferente del útil y de las cosas, sino que, por su modo de ser de Dasein, y en la forma del estar-en-el-mundo está, él mismo, “en” el mundo en el que al mismo tiempo comparece intramundanamente. Este ente ni está-ahí ni es un ente a la mano, sino que es tal como el mismo Dasein que lo deja en libertad también existe y existe con él. Si se quisiese, pues, identificar el mundo en general con el ente intramundano, habría que decir: el “mundo” es también Dasein.

Pero, la caracterización del comparecer de los otros — se dirá — vuelve a tomar como punto de referencia al Dasein cada vez propio. ¿No empieza también ella destacando y aislando al “yo” de tal manera que luego será necesario buscar uma vía para pasar desde este sujeto aislado hacia los otros? Para evitar este malentendido será necesario considerar en qué sentido se habla aquí de “los otros”. “Los otros” no quiere decir todos los demás fuera de mí, y en contraste con el yo; los otros son, más bien, aquellos de quienes uno mismo generalmente no se distingue, entre los cuales también se está. Este existir también con ellos no tiene el carácter ontológico de un “co”-estar-ahí dentro de un mundo. El “con” tiene el modo de ser del Dasein; él “también” se refiere a la igualdad del ser, como un estar-em-el-mundo ocupándose circunspectivamente de él. “Con” y “también” deben ser entendidos existencial y no categorialmente. En virtud de este estar-em-el-mundo determinado por el “con”*, el mundo es desde siempre el que yo comparto con los otros. El mundo del Dasein es un mundo en común [Mitwelt]. El estar-en es un coestar com los otros. El ser-em-sí intramundano de éstos es la coexistencia [Mitdasein]. **

Pero — se dirá — la expresión “Dasein” muestra con claridad que este ente “por lo pronto” es irrespectivo a otros, aunque sin duda también pueda estar ulteriormente “con” otros. Sin embargo, no debe pasarse por alto que empleamos el término “coexistencia” para designar aquel ser con vistas al cual los otros son dejados em libertad dentro del mundo. Esta coexistencia de los otros queda intramundanamente abierta para un Dasein y así también para los coexistentes, tan sólo porque el Dasein es en sí mismo esencialmente coestar [Mitsein]. La afirmación fenomenológica: el Dasein es esencialmente coestar, tiene un sentido ontológico-existencial.

No se pretende constatar en forma óntica que yo no estoy fácticamente solo, sino que también están-ahí otros de mi propia especie. Si algo así se quisiera decir con la frase que el estar-em-el-mundo del Dasein está esencialmente constituido por el coestar, el coestar no sería una determinación existencial que por su forma de ser, le correspondiese al Dasein desde sí mismo, sino una condición que surgiria cada vez por la presencia de los otros. El coestar determina existencialmente al Dasein incluso cuando no hay otro que esté fácticamente ahí y que sea percibido.

También el estar solo del Dasein es un coestar en el mundo. Tan sólo en y para um coestar puede faltar el otro. El estar solo es un modo deficiente del coestar, su posibilidad es la prueba de éste. Por otra parte, el hecho de estar solo no se suprime porque un segundo ejemplar de hombre, o diez de ellos, se hagan presentes “junto” a mí. Aunque todos éstos, y aún más, estén-ahí, bien podrá el Dasein seguir estando solo.

El coestar y la facticidad del convivir no se funda, por consiguiente, en um encontrarse juntos de varios “sujetos”. Sin embargo, el estar solo “entre” muchos tampoco quiere decir, por su parte, en relación con el ser de los muchos, que entonces ellos solamente estén-ahí. También al estar “entre ellos”, ellos co-existen; su coexistencia comparece en el modo de la indiferencia y de la extrañeza. Faltar y “estar ausente” son modos de la coexistencia, y sólo son posibles porque el Dasein, en cuanto coestar, deja comparecer en su mundo al Dasein de los otros. Coestar es una determinación del Dasein propio; la coexistencia caracteriza al Dasein de los otros en la medida en que ese Dasein es dejado en libertad para un coestar mediante el mundo de éste. El Dasein propio sólo es coexistência en la medida en que, teniendo la estructura esencial del coestar, comparece para otros.

E o que isso tudo tem haver com a tolerância? Bem, Dasein enquanto permanece com outros no mesmo mundo, ou seja, co-estar, deixa comparecer em seu mundo o Dasein dos outros. Quando falo Dasein aqui, apesar de reconhecer que este termo pode ter várias interpretações ao longo da obra de Heidegger, assumo seu significado como ser humano. Logo, a co-existência caracteriza o Dasein dos outros na medida em que este é deixado em liberdade para estar com os outros no mundo. Já é um começo para a incapacidade de se experenciar a realidade em que se vive um semelhante. Sei também que as experiências são de cunho existencial, quero dizer, a experiência só é significativa se vivenciada, não basta alguém relatar o que se viveu.

Meu objetivo é, ante tantas diferenças postas, dar liberdade a um indivíduo possibilitando que ele possa escolher ser o que ele quer garantindo meios para isso. Tolerar esse modo de ser na atualidade é por demais complicado. Pois, na maioria das vezes se acredita, de forma veemente, em correntes ideológicas que resguardam perante “ismos” ou “istas” formas já preconcebidas de estabelecer meios para uma igualdade. Como se essas ideologias fossem uma forma de um ente-a-mão para solucionar problemas da convivência humana.

Posso não acreditar em marxistas, socialistas, mesmo assim, respeito suas opções. Entretanto, não entendo quando marxistas pegam armas, se auto-denominam com siglas como as FARC e ainda assim conseguem manter seus ideais de igualdade. Ou, quem sabe porque todo socialista quando sobe ao poder quer permanecer nele pelo resto da vida, que o diga Cuba.Voltando, necessário fornecer condições para que se possa ser. Que haja consciência da opção que se está fazendo, ou melhor dizendo que haja uma responsabilidade em tal escolha. Dizer isso, não é simplesmente mostrar prós e contras, é saber as repercussões de sua atitude. É mostrar o que torna indiferente as pessoas diante de certas situações esdrúxulas do mundo. Ou, aceitar tais situações como normais. Talvez, por isso viver seja difícil e o é conviver ainda mais.A sociedade não toma consciência do que a torna indiferente a suas mazelas, tudo fruto de uma absolutização da moderna subjetividade, a centralização de todos os problemas no “Führersein” de cada homem. Uma filosofia como a de Heidegger, que indaga sobre o sentido do ser e sobre o homem, descobre as tendências subjetivas ali subrepticiamente presentes. Vem à luz, através disto, em que medida, de fato, o “mundo” dos práticos da onda de transformações é interpretado, consciente ou inconscientemente, mas não “suficientemente” interpretado. De Marx a qualquer filosófo da atualidade, muita coisa foi dita, que eventualmente pode ser válida, mas que joga dentro dos estreitos quadros de uma ideologia.E quando isso tudo terá um fim? Quando houver um acordo em “deixar ser”, colocando de lado as tendências subjetivamente subrepitícias no discurso e da ação disposta a concretizá-lo. De modo que uma solicitude tal faça o homem comparecer no deixar ser.
And when the broken hearted people
Living in the world agree,
There will be an answer,
let it be.

One comment

  1. Não é possível deixar de cumprimentar e agradecer pela extraordinária lição.

    Quero saber se posso transcrever em artigo, só que não encontrei o nome do autor



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