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All i have’s this journal that i write sketches of a 20-something life glory pieces shining on a page boxing night of disappointing rage

maio 24, 2008

Da ousadia de ter um blog.

Para que ter um blog? Toma seu tempo, não é coisa de desocupado vale ressaltar. Grande parte dos visitantes nem se quer deixam comentários. Não há elogios, ou se quer ofensas a partir dos posts, mas não precisa ofender o autor se alguém tiver algo contra. Também é possível pensar que se trata de um diário pessoal.

Em tempos de grande acesso as informações será mais uma ferramenta para bisbilhotar a vida das pessoas? Alternativa nada aconselhável. Também não me acho tão importante assim a ponto de despertar tamanha curiosidade. Levo uma vida por demais ordinária, ou como quiser comum para haver alguma curiosidade sobre ela.

Lembro da vez que tentaram decifrar a partir dos comentários colocados o contexto do que estava escrito. O grande detalhe é que nem passaram perto, deu um trabalho explicar do que se tratava. Quase acabaram um namoro por causa disso. Lembro bem desse dia. Contudo, isto não é para estar aqui, minha vida pessoal raramente aparece neste espaço.

Fazer este blog surgiu de uma simples idéia. Guardar certos diálogos e passagens capazes de despertar a parte não revelada das manifestações ocasionais do ser. Como diria uma amiga minha eu tenho um verdadeiro “T” por esse verbo. Não posso negar.

Na realidade todo o contexto fica mais fácil de ser entendido, quando se interpreta as passagens a partir do “ser”. Digo isso, pois o referencial adequado é o verbo, e não o autor do blog que preza por sua impessoalidade. No máximo as músicas colocadas propiciam certa individualidade do que eu venho escutando. Passando a dar uma trilha sonora as manifestações do ser.

Sou amante da boa música como diria uma amiga minha da academia. Saber apreciar não só a música em si, mas toda a sua harmonia entre as linguagens assentadas durante um curto espaço de tempo requer certa sensibilidade, alimenta o espírito entre outras coisas mais…

Digo linguagens, pois há a linguagem musical, como também há a linguagem poética. Segundo Heidegger a poesia está mais perto do ser o algo do tipo. Também afirmo tratar-se de sensibilidade, pois sem esta não dá para sentir o ser.

Também existe a possibilidade de recordar o que já foi escrito e pensado sobre o ser durante determinado tempo. Essa é uma das vantagens de ter um blog, se houve um pensamento externado há sempre a possibilidade de visitar de novo e datar os acontecimentos.

Reconheço que de tempos em tempos mudo minha forma de pensar, e para não cometer os erros do passado, sempre releio o que escrevi sobre minhas impressões só que em outro blog. Também serve para eu relembrar as promessas que eu faço a mim mesmo e não quebra-las. Confesso eu tenho dois blogs, mas só mostro um por razões de privacidade e individualidade.

Há também as imagens que coloco. Todas tem algo em comum. Em todas as figuras está presente a cor azul. Acredito que se o ser tivesse uma cor seria azul. Digo isso, pois reparando as obras de Picasso ele nunca retratou tão bem o ser quanto na fase azul.

Na fase azul iniciada no outono de 1901 até o final de janeiro de 1904 a obra picassiana experimenta uma troca cromática e de temática radical, ao mesmo tempo em que as figuras mostram mutações formais características de seu primeiro período.

Uma série de fatores pessoais, ambientais, sociais e culturais determinaram o passo de uma arte do mundano à uma arte marcada pelo cariz simbólico. Nestes momentos Picasso estava influenciado pelas doutrinas filosóficas do norte da Europa, muito arraigadas na Cataluny modernista. Outro fator foi sua amizade com o poeta Max Jacob. De sua mão há introdução na leitura da literatura simbolista francesa de Baudelaire, Rimbaud e especialmente Verlaine; crendo que a arte emana da tristeza e da dor, como uma missão traumática, y que é fonte de emoção e prazer. Isto e o influxo dos expressionistas alemães são decisivos em sua obra. Como também, o suicídio de seu amigo Casagemas é o outro fator que tinha um papel importante na gênesis deste período.

Como diria Dimas Lins(http://www.estradar.com/) em um de seus posts: Tristeza não tem fim ­­- Construção imaginária onde o autor derrama tristezas profundas e alegrias contidas de sua alma melancólica. Dramas e tragédias impessoais que no fundo são palavras para sentir o ser.

O que me lembra Vinicius de Moraes no Samba da Benção:

Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza

Logo, a partir da tristeza existe um melhor sentir e sua cor sem dúvida é o azul. O que não quer dizer que este blog seja feito de tristezas apenas é permeado por manifestações impessoais e imaginárias que plantam o sentido do ser. Aliado a tudo isso está o azul que dá todo um diferencial colorindo e indicando o ser. Nada mais do que isso. Portanto, dada todas as explicações sobre este blog que não tem prentensão nenhuma de ser um big brother virtual sobre a minha vida pessoal de seu autor, muito menos se tornar grande e popular.

Acabo com uma citação de Soren Kiekegaard, pai do existencialismo que mostra bem a idéia que me conduz a escrever e externar passagens de tempos e tempos:

Arriscar-se é viver…
Só a pessoa que se arrisca é livre…

Por isso falo da ousadia em ter um blog

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