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On a weekend I wanna wish it all away, yeah. And they called and I said that “I want what I said” and then I call out again.

junho 29, 2008

A Eternidade é o Nosso Signo


Sim, a eternidade é o nosso signo. Não começámos a existir nem o fim da existência o entendemos como fim. Por isso não sentimos que não existimos antes de começarmos a existir mas apenas que tudo isso que aconteceu antes de termos existido foi apenas qualquer coisa a que por acaso não assistimos como a muito do que acontece no nosso tempo. E à morte invencivelmente a ultrapassamos para nos pormos a existir depois dela. O prazer que nos dá a história do passado, sobretudo os documentos que no-lo dão flagrantemente, vem de nos sentirmos prolongados até lá, de nos sentirmos de facto presentes nesse modo de ser contemporâneos. Mas sobretudo há em nós uma memória-limite, uma memória absoluta que não tem nada de referenciável e se prolonga ao sem fim. Do mesmo modo há o futuro que é pura projecção de nós, apelo irreprimível a um amanhã sem termo ou sem amanhã. Por isso a morte nos angustia e sobretudo nos intriga por nos provar à evidência o que profundamente não conseguimos compreender. Mas sobretudo a eternidade é o que se nos impõe no instante em que vivemos. O tempo não passa por nós e daí vem a impossibilidade de nos sentirmos envelhecer. Sabemo-lo na realidade, mas é um saber de fora. Repetimo-lo a nós próprios para enfim o aprendermos, mas é uma matéria difícil que jamais conseguimos dominar. Por isso estranhamos que os nossos filhos cresçam e se ergam perante nós como adultos que não deviam ser. Por isso estranhamos os jovens pela sua estranheza de que quiséssemos porventura ser jovens como eles. Instintivamente sentimos que é um abuso eles tomarem o lugar que nos pertencia e nos desalojem do lugar que era nosso. Por isso sofremos, não bem por perdermos o que nos pertencia, mas pela dificuldade de isso entendermos.Há uma oposição frontal entre o nosso íntimo sentir e a realidade que isso nos desmente. Somos eternos, mas vivemos no tempo. Somos imutáveis, mas tudo à nossa volta se muda e nos impõe a mudança. Somos divinos, mas de terrena condição. É essa condição que sabemos, mas não conseguimos aprender. Nesta oposição se gera toda a grandeza do homem e a tragédia que o marcou. Os que se fixam num dos termos são deuses iludidos ou animais que não chegaram a homens. Porque o verdadeiro homem é deus por vocação e animal por necessidade.

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 3’

Hoje dois fatos me chamaram a atenção. Primeiro, vi um filme de Oscar Niemeyer em que tratava de sua vida. Retratava sua visão de mundo, claramente socialista, seu olhar sobre as formas. Sobretudo, um homem a frente do seu tempo por perceber, a partir de seu olhar singular, o mundo que o circundava e poder servir de inspiração para suas obras. No filme ele cita uma frase muito provavelmente de sua autoria. “A vida é um sopro.” Um homem do alto de seus 100 anos olha para o seu passado e vê apenas uma passagem rápida do tempo vivido e experenciado. Se auto intitula um ser humano comum por isso.

O segundo fato foi em uma festa. Boa parte da geração de meus pais conheceu algumas dificuldades consideráveis. O que é completamente diferente da minha geração, que está se formando hoje sem conhecer tantas dificuldades. Lógico que isso não é de forma generalizada e nem poderia ser. Muitos hoje, como na geração de meus pais, também passam por apertos de grande monta. Mas em ambas existem duas pedras de toque.

Alguns da geração dos meus pais não tiveram casa para morar, passaram dificuldades. Por exemplo não sabiam se teriam carro até mesmo usado, ou menos dinheiro para comprar um jeans. Muitos tiveram privações de peso em suas vidas. Ausências de pais, mães, dinheiro para pagar a faculdade, fome. Grande parte conhecida por mim conseguiu vencer na vida. A maioria dela conseguiu realizar seus sonhos, talvez não da maneira que imaginaram, mas conseguiram casas, carros, mulheres. Enfim, que a maioria almeja para si. E revelam isso como grande orgulho.


O que esses dois fatos tem em comum?

O tempo e a independência.

O tempo constitui o elemento mais igualitário perante o ser humano. Tanto o rico como o pobre possuem o tempo ao longo de suas vidas. Isso não quer dizer que a juventude teoricamente ao possuir mais tempo a ser vivido perante os que já beiram os 50 anos, seja mais rica. E tudo isso acontece rápido demais.

Em ambas as gerações existe também o desejo por independência. Chega a ser admirável o vigor de um jovem recém formado de sua faculdade ao ganhar seu primeiro quinhão. Para alguns um mísero trocado, para outros o início de uma calorosa conquista com base no esforço de horas consideráveis de estudo abdicando dos prazeres da vida. Nada como (re)conhecer o sabor da retribuição com base em seus estudos. Nesse momento esquecemos das longas horas de clausura lendo páginas e mais páginas. Tudo para cantar “procuramos independência acreditamos na distância entre nós”.

Distância das horas de sufoco, de liseu, pindaíba… A vida de estudante é por demais bela poucas responsabilidades, preocupações de peso reduzido se comparáveis à outros estágios da vida. Contudo, há o inconveniente de não se ganhar a remuneração que se gostaria, em alguns casos nem se ganha, mas há incontáveis festas para esquecer esse mísero detalhe, novas amizades a serem feitas termina-se por deixar em segundo plano todos esses inconvenientes.

Isso é  o que me lembro da minha vida de estudante. Não faz tanto tempo assim, eu estava me formando, 2 anos apenas. Quando olhamos para trás temos o passado comprimido em algumas de nossas lembranças há impressão que decorreu um tempo muito curto. Claramente, não vemos o tempo passar por nós.

Um exemplo disso são os pais sempre repetindo: “que os filhos não cresceram.” Sempre estão a julgar a idade de seus filhos a partir de si mesmos. Mais uma vez não se vê o tempo passando por nós mesmos. Haja visto, filhos são a única maneira de se enganar o tempo e a possibilidade de os fazer melhores do que somos ou fomos.

Dessa forma nos tornamos eternos, mas limitados por viver no tempo. Da mesma maneira cheios de contrastes, pois, de uma certa forma, permanecemos os mesmos diante do tempo, sempre procurando a independência. Em ambas as gerações, retratadas aqui, há o desejo por esta “moça” seja em mantê-la no caso da geração dos meus pais, ou em conquistá-la no caso da minha. Tudo para não provar o amargo das mudanças da sua falta e ao mesmo momento ter que se agarrar de novo a respectiva humanidade para ultrapassar tempos difíceis. Que essa fase difícil seja apenas qualquer coisa a que por acaso não assistimos como a muito do que acontece no nosso tempo. Ou seja apenas um sopro tudo isso…

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