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This one’s for the lonely The one’s that seek and find Only to be let down Time after time

novembro 3, 2008


Poucas pessoas saberão, a meio da vida, como chegaram a ser o que são, aos seus prazeres, à sua visão do mundo, à sua mulher, ao seu carácter, à sua profissão e aos seus êxitos; mas sentem que a partir daí as coisas já não irão mudar muito. Poderia mesmo afirmar-se que foram enganadas, porque não se consegue descobrir em lugar nenhum a razão suficiente para que tudo tenha acontecido como aconteceu, quando teria sido perfeitamente possível ter acontecido de outra forma.

O que acontece, aliás, raramente depende da iniciativa dos homens, mas quase sempre das mais variadas circunstâncias, dos caprichos de alguns, da vida e da morte de outras pessoas, e, de certo modo, limita-se a vir ter connosco naquele preciso momento.

Robert Musil, in ‘O Homem sem Qualidades’

Na vida, como no esporte, ou até mesmo nos concursos a pessoa lida com uma série de variantes inimagináveis, das quais não se pode controlar. Não existe um espaço paramétrico, onde a única decisão importante seja a sua própria decidibilidade. Entretanto, se serve de consolo para alguns, há quem possa identificar por fazer seu próprio caminho (Eigenlichkeit), a razão suficiente de tudo que está a acontecer e que poderia ter sido diferente.

Essa tal de razão suficiente parece ser um ponto crucial nos acontecimentos de uma determinada vida colocando as coisas em perspectiva. Mesmo que raramente, e na maioria das vezes, os acontecimentos não dependam da iniciativa dos homens há a possibilidade de se fazer o melhor, lutar até o último momento. Ainda assim, não ser o suficiente, seja lá por que motivos for…

Para ser o melhor cada detalhe é importante, cada segundo de dedicação faz a diferença no final., enfim não se pode errar. Sempre disse a mim mesmo, a principal diferença entre o extraordinário e o bom está em que o extraordinário não erra quando não se pode errar. O Bom faz a mesma coisa que o extraordinário realiza, mas erra quando não poderia errar.

Pode parecer falacioso tal argumento, por não retratar certas e determinadas realidades, mesmo assim não se pode cobrar tanta confiança das coisas hoje em dia, que o diga a própria vida em seus acontecimentos dependentes das mais variadas circunstâncias. A crise de confiança se instaura justamente por esta dependência. Ideal seria não ter esta dependência, mas…

Depender de caprichos e erros dos outros são circunstâncias que revelam a responsabilidade dos próprios atos com reflexos nas vidas dos outros. A repercussão dos próprios atos deveria ser uma pedra angular no momento de decidir, mas quase nunca é levado em conta. Isso gera atrapalhos os quais mesmo diante de feitos extraordinários, ainda assim a façanha não seja suficiente para se conseguir vitória sonhada. Como existencialista aprendi a ser responsável pelos meus próprios atos, sobretudo ao enfrentar as conseqüências que advém dos mesmos.

Mas não estava escrito que reflexos das decisões dos outros, que não possuem consciência suficiente para enxergar até onde vai os efeitos de suas decisões mudaria toda a história. Um exemplo dos erros alheios com reflexos na própria vida aconteceu hoje. Felipe Massa foi extraordinário do começo ao fim do final de semana. Fez o possível e o impossível, São Pedro até que deu uma ajudinha, mas ainda assim não foi suficiente.

Digo que foi extraordinário porque Felipe não errou quando não podia errar. Lewis Hamilton por mais um ano errou ao espalhar na curva e Sebastian Vettel conseguiu ultrapassá-lo, só que dessa vez conseguiu, tendo a sorte ao seu lado, ultrapassar um tal de Timo Glock que resolveu arriscar ficar com pneus para pista seca. A Toyota foi a única equipe a não mudar de pneus.

Felipe perdeu o campeonato por um único ponto. Se tivesse empatado com Lewis Hamilton sagrava-se campeão por ter mais vitórias. O único problema foi um mecânico e a Ferrari com experimentações tecnológicas o fizeram perder o campeonato. Numa corrida o piloto corre contra 21 carros, 10 equipes.

Mas quando se corre contra sua própria equipe, ou a sua própria casa é impossível ser campeão mundial, ou vencer em algo. Felipe não perdeu o campeonato, a Ferrari foi que tirou seu título. Esse foi o grande detalhe que o fez não ser campeão na temporada 2008 de F1. A Ferrari levou o título dos construtores, quando quem mais errou foi ela própria, a Mclaren como equipe não cometeu erros bobos, mas conseguiu seu próprio campeão de pilotos.

Esse erro da escuderia foi a razão suficiente pela qual Felipe não foi campeão. Quando seu próprio time te afunda, não há necessidade de competidores as derrotas acontecem de qualquer jeito. Nem vencendo a corrida, cruzando a linha de chegada como campeão mundial é suficiente, 500m depois e alguns segundos tiram qualquer chance de ser campeão.

Na vida somos obrigados a levantar do banco e fazer escolhas, escolher por qual time torcer, quem fará parte dele. Enfim, sair do nosso isolamento, do espaço onde só as nossas próprias decisões podem mudar os rumos da nossa história e assistir alguém chegar e mudar completamente o jogo, seja por caprichos, erros, ou decisões que só levam em conta a própria realidade.

E, mesmo, realizando o impossível assistimos a nossa própria incapacidade em superar obstáculos, dos quais nunca teriam sido postos se dependessem única e exclusivamente na nossa própria vontade tudo porque houve uma dependência calcada nas mais variadas circunstâncias da vida. É apenas um consolo identificar o ponto crucial em que a história poderia ter sido mudada.

A razão suficiente não muda os fatos. Acaba por testar a capacidade de sermos humanos, pois no final do dia o fato de termos coragem de ainda ficar de pé, mesmo com as piores frustrações vividas, pode ser uma nova razão suficiente para seguir em frente e continuar de pé…

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