Archive for the ‘Filosofia’ Category

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Don’t know why There’s no sun up in the sky Stormy weather

julho 4, 2010

Mas, de alguma forma, parece que estamos sempre falando do passado.

O passado não me interessa.

E o presente? Mal posso esperar que acabe.

É uma ‘fossa total’!

Bom, esta noite é uma exceção.

O quê?

Essa noite, sim! O presente, não!

Vamos beber a essa noite!

A essa noite.

Se o passado não conta e o presente é uma ‘fossa total’, e o futuro?

Que futuro? Cuba pode nos mandar pelos ares.

A morte é o futuro. Desculpe. Não quis ser deprimente.

Não é deprimente. É verdade. Pode não ser seu futuro imediato, mas é o que todos compartilham.

O futuro é a morte.

Acho que está certo.

Se alguém não gosta do presente, não há muita chance do futuro ser melhor.

É, já pensei nisso. Mas a verdade é que nunca se sabe.

Veja essa noite. Na verdade… Me sinto sozinho a maior parte do tempo.

Mesmo?
Sim.

Sempre me senti assim.

Nascemos sozinhos, morremos sozinho.

E enquanto estivermos aqui, estaremos totalmente vedados nos próprios corpos.

Realmente estranho.

Pensar nisso me deixa louco.

Só podemos vivenciar o mundo exterior através da percepção parcial que temos.

Quem sabe o que realmente gosta?

Só vejo o que acho que você gosta.

Sou exatamente o que aparento ser. Se olhar bem de perto.

A única coisa que fez a tudo valer a pena foram aquelas poucas vezes que fui capaz de me conectar de verdade com outra pessoa.

Tive uma intuição sobre o senhor.

– Teve?
– Sim, senhor.

De que você pode ser um verdadeiro romântico.

Sabe, todo mundo sempre diz que, quando se está mais velho, terá toda essa experiência, como algo fantástico.

Grande merda, a cada dia nos tornamos mais insensatos.

– Mesmo?
– Definitivamente, sim.

Então toda sua experiência é inútil?

Eu não diria isso.

Como diz Sr. Huxley: (Aldous Huxley, “After Many a Summer”)

“A experiência não é o que acontece ao homem, é o que homem faz com que aconteça a ele.”

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C’en est assez de ces dédoublements C’est plus dure à faire, qu’autrement Car sans rire c’est plus facile de rêver

abril 11, 2010

Hoje, 10 de abril de 2010, o Barcelona F.C escreveu um pouco mais da sua história. De maneira sútil, o conjunto culé conseguiu ganhar duas vezes consecutivas no Santiago Bernabéu. Josep Guardiola se tornou o primeiro técnico a ganhar 4 vezes seguidas o clássico do Milênio. Já escrevi sobre algumas vitórias e algumas derrotas do Madrid sobre o Barcelona. Vi a noite em que Julio Batista fez o gol da virada, tal clássico ficou conhecido pela imprensa como “la hazaña que transciede a la suerte o a inspiración de una noche”. Lembro que eu tava na casa de André, um colega, lembro também que precisava muiiiiiito daquela vitória do Barça que nunca veio… Tinha acabado de perder na PFN 2007.

Também, vi o Barça ganhar de 2 – 6 sobre o Madrid ano passado, uma noite inesquecível, a maior goleada que o Barcelona já impôs na história dos clássicos ao Real Madrid. Vi o 3 x 0 em que Ronaldinho Gaúcho saio aplaudido de pé pela torcida do Madrid. O que aquelas vitórias da temporada 2005-2006 e 2008-2009 possuem em comum? Todas elas foram o cartão de visitas do Barcelona rumo as finais da Liga dos Campeões da UEFA. Diga-se de passagem ambas vencidas, a primeira sem a o brilhantismo de Ronaldinho Gaúcho, a segunda vencida pela mentalidade de equipe do conjunto catalão.

No caminho de Santiago, como é conhecida a final desse ano no dia 22 de maio, o Barcelona mais uma vez repete seus próprios passos de sucesso. Não é segurança nenhuma pensar que já ganhou, ainda falta praticamente 1 mês e meio pela frente. Sem contar o fato de a Inter de Milão ser o oponente do Barça nas semi-finais que ainda nem aconteceram.

Vamos aos acontecimentos da partida. Afinal de contas, eu passei 3 anos sem ver o Barça ganhar do Madrid, no máximo que conseguia o Barcelona empatava. Primeiramente, a partida começou muiiiito truncada, o meio campo congestionado. Parecia que iria ser uma dessas partidas que se decidiria em um lance só, ou apenas em um erro de marcação. Para variar seria bom que se arbitragem não ajudasse, que pelo menos não atrapalhasse, mas o Barça foi pra casa com um penalti não assinalado, nem sequer uma expulsão de Xabi Alonso ou Sergio Ramos.

No duelo Cristiano Ronaldo x Lionel Messi dessa vez brilhou Messi, corria o minuto 32 de jogo quando Xavi Hernandes magistralmente lança a bola para Messi domina-la no peito e já tirar da jogada Raúl Albiol e chutar antes da chegada de Casillas. O “portero” madridista só pode mandar o time para aquele canto…

Vale ressaltar que o Bernabéu se calou ao ver o quadragésimo gol de Lionel na temporada. Pronto, nesse instante começava a se desenhar o choque entre dois modelos distintos de gestão de equipes. Como dizem na Espanha, “la cartera contra la cantera”. Não precisa dizer que a cantera, ou a divisão de base, é que saiu ganhando.

Na segunda parte três coisas não mudaram: nem o domínio do Barça, nem a ineficácia de Mejuto e nem o jogo truncado e de força paliativa do Real Madrid. A posse de bola do Barça já rondava os 60%. O que já insinuava o segundo gol de Pedrito no minuto 57 de partida proveninete, do cérebro do Barcelona F.C, Xavi Hernandes.

Vale salientar que o garoto Pedro, só pode ser considerado um garoto na idade, pois já mostrou e comprovou que pode ser decisivo para o Barcelona em jogos chaves. E poderia ter sido mais se não fosse Iker Casillas com duas paradas inimagináveis tendo a sua frente ninguém mais, ninguém menos que Lionel Messiem noite inspirada. Se hoje Messi não foi ovacionado pelo Santiago Bernabéu, ao menos fez a “afición” do Madrid abandonar seus lugares a partir do minuto 80 de partida.

Esta noite fica conhecida na Espanha como: “La suerte es sólo la muerte con una letra cambiada”. Pondo em reflexão, não apenas uma filosofia de gestão, como situações da vida em que deixa latente a sensação de momentos de sucesso, como também dias de fracasso. Sobretudo, o quanto é tênue e ilusória a linha que divide o tempo da glória e o tempo da derrota.

Neste sábado em que o Madrid só podia agarrar-se a um acidente, a um sucesso isolado e quase paranormal de suas estrelas para discutir a autoridade do conjunto Blaugrana a sorte do Madrid não funcionou. Como um dejavú, o conjunto Catalão repete sua atuação de gala, de forma a deixar sua torcida com a sensação de ter sido apenas um sonho do ano passado, mas continua sendo a REALidade azul e grinard.

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I´ll stop the world and melt with you You´ve seen the difference and it´s getting better all the time

abril 6, 2010

Era uma vez um garoto pequeno e com problemas de crescimento. Sua família pobre não podia pagar seu tratamento, até que apareceu uma certa equipe chamada Barcelona F.C. Diziam que ele nunca serviria para jogar futebol, não possuía físico adequado, tamanho… Durante este tempo o pobre garoto apenas se mantinha calado, introspectivo deixando os outros falarem. Quando chegou ao Barcelona e se apresentou a Carles Rexach, o mesmo que já foi técnico do Barcelona em uma dessas temporadas apagadas do Barça, o garoto foi contratado imediatamente… Seguiu um bom tempo na “cantera”, curiosamente a torcida culé não via grandes títulos serem conquistados…

Mas o garoto cresceu e segue crescendo, diga-se de passagem não muito em relação ao seu tamanho, mas sim quanto a sua reputação. Seu nome é Lionel Messi, provavelmente a imprensa o chama de Deus do futebol, mas com apenas 22 anos ainda possui um grande caminho a percorrer. Prefiro dizer que hoje ele se doutorou como Herói, e com todas as deferências que o mundo acadêmico pode oferecer, desde a laúrea até o sentimento indescritível o qual a nossa própria linguagem se torna limitada para escrever sobre o Messi(as). Sua façanha carregar o barcelona nas costas e ser o jogador mais jovem a marcar 4 gols na liga dos campeões igualando-se a Rivaldo.

Em uma dessas suas aparições históricas hoje contra o Arsenal a imprensa espanhola escreve sobre ele:

“¿Y ahora cómo lo explico eso? Esa es la pregunta que se hace el periodista cuando tiene que narrar otro, el enésimo recital, la enésima exhibición, el no va más, el… de un jovencito de 22 años que está dispuesto a hacer sufrir a los rivales que tiene por delante y a los periodistas que tenemos que explicarlo. El resto del mundo, eso si, se lo pasa pipa con él.” Sport.es

Si lo inefable es lo que no se puede explicar con palabras, Messi ya es inefable. Y si el fútbol es carácter y seda, hambre y arte, Messi es el fútbol. Messi es absoluto y a veces todopoderoso; O lo parece. En esas ocasiones es un equipo: Messi Club Barcelona. Así es este Barça, que a veces mata con exhibiciones corales y juego de geometría poética y otras se pone en manos de un jugador que es hoy por hoy superior, excelso y letal. Un asesino que pinta Picassos, un ejecutor que maneja ya todos los hilos del juego en ruta a convertirse en el jugador total por pura definición.” As.com

“Porque Wenger ató cabos pero no pudo, nadie puede, gobernar lo ingobernable.” As.Com

“La mayoría para Leo Messi, claro. Un jugador excepcional que parece estar escribiendo un capítulo de la historia del fútbol cada vez que salta al campo. Un peligro para los rivales, el siguiente en Champions el Inter, y una delicia para el Barcelona, que sin él es mucho pero con él es pluscuamperfecto, un campeón a dos partidos, una eliminatoria, de defender corona en la gran final. Fácil, difícil, duro, probable… posible. Con Messi todo es, siempre, posible para el Barça. Messi Club Barcelona.” Sport. es

“Messi descendió del cielo para poner las cosas en su sitio. Bendtner marcó el 0-1 y todo se acabó para el Arsenal, víctima de otro partido sobrehumano de Leo Messi, autor de los cuatro goles de su equipo. El argentino protagonizó una actuación descomunal guiando al Barça a semifinales, donde espera el Inter de Mourinho.” Marca.com

Messi não segue o caminho de Ronaldinho Gaúcho, que se contentou apenas em ser humano. Hoje ele é um herói tal qual aqueles da Mitologia Grega, especialmente na melhor moda de um Percy Jackson, filho de Posseidon. Sem dúvida está no caminho certo, quando faltar as palavras a serem ditas sobre suas atuações é que de fato não estará mais entre os mortais, apenas os Deuses poderão se reportar ao Messias filho de Hermes. Anunciando sua chegada ao monte Olimpo.

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Any time at All

outubro 26, 2009

O Presente não Existe

Não é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo – o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstracta. O presente não é um dado imediato da consciência.

Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: «Detém-te! És tão belo…!», como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo.

Jorge Luís Borges, in ‘Ensaio: O Tempo’

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Ticket To Ride

junho 1, 2009

A História da Humanidade em Três Palavras
Felipe lembrou-se da história do Rei do Oriente que, desejando conhecer a história da humanidade, recebeu de um sábio quinhentos volumes; ocupado com negócios de Estado, pediu-lhe que a condensasse. Ao cabo de vinte anos, o sábio voltou e a sua história ocupava agora apenas cinquenta volumes; mas o rei, já velho demais para ler tantos livros volumosos, pediu-lhe que a fosse abreviar mais uma vez. Passaram-se de novo vinte anos, e o sábio, velho e encanecido, trouxe um único volume com os conhecimentos que o rei procurara; este, porém, estava deitado no seu leito de morte, nem tinha mais tempo de ler sequer aquilo. Aí o sábio deu-lhe a história da humanidade numa única linha: “Nasceram, sofreram, morreram”.
Somerset Maugham, in “A Servidão Humana”
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Como não entende de ser valente Ele não sabe ser mais viril Ele não sabe não, viu? Às vezes dá como um frio É o mundo que anda hostil

março 20, 2009

Saber Desfrutar Todos os Tempos


Nós mostramo-nos ingratos em relação ao que nos foi dado por esperarmos sempre no futuro, como se o futuro (na hipótese de lá chegarmos) não se transformasse rapidamente em passado. Quem goza apenas do presente não sabe dar o correcto valor aos benefícios da existência; quer o futuro quer o passado nos podem proporcionar satisfação, o primeiro pela expectativa, o segundo pela recordação; só que enquanto um é incerto e pode não se realizar, o outro nunca pode deixar de ter acontecido. Que loucura é esta que nos faz não dar importância ao que temos de mais certo? Mostremo-nos satisfeitos por tudo o que nos foi dado gozar, a não ser que o nosso espírito seja um cesto roto onde o que entra por um lado vai logo sair pelo outro!
Séneca, in ‘Cartas a Lucílio’
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How Your Heart Is Wired

janeiro 4, 2009

Da arte de ter um Blog

Em da ousadia de ter um blog falo do fazer este blog surgido de uma simples idéia: guardar certos diálogos e passagens, capazes de despertar a parte não revelada das manifestações ocasionais do ser. Esta assertiva, apenas trata de uma parte do revelado, mas não do sentir que isso desperta.

Poder guardar as sensações estéticas do tipo quando se vê um filme, ou ouve uma boa música é poder recordar o que valeu a pena. Quando digo sensações estéticas, trato das coisas que faz sentir alguém mais vivo e querer abraçar o mundo. Tal qual como ao ver um filme inspirador, como The Curious Case of Benjamin Button, ou poder escutar a trilha sonora da vida tocando.

Afinal de contas a vida em si mesma não tem trilha sonora, mas podemos colocar para tocar músicas nos momentos vividos. Igual quando vi um comercial do Bradesco ou da Ford tratando do “inovar” e do “novo” respectivamente. Ter a possibilidade de expressar o sentir despertado e guardar em um lugar para recordar, além da memória, é um privilégio.

Romântico por demais, não? Pois, vale a pena ter sempre um jeitinho para estar conectado com as coisas boas, e que fazem valer a pena. Não se prender apenas as expectativas, passar a bola no meio de suas pernas. Colocar em prática esta idéiasignifica desejar menos, que coisas boas sejam provenientes de reações ou ações dos outros e aconteçam tal qual se espera.

Digo isso, pois percebo a passividade em esperar e se realmente se quer algo simplesmente “faça”, seja de que jeito for. Se for desengonçado aprecie a espontaneidade. Se for certeiro vibre pelo acerto. Se for da forma errada aprenda.

Como é bom fazer um lugar onde se possa desfrutar de leituras confirmatórias do que se faz acreditar. Melhor dizendo como Maria do Carmo Tavares de Miranda em uma reportagem do Jornal do Comércio de 4 de janeiro de 2008, ao ser questionada sobre as leituras de Heidegger e as influências na sua religião:

“Na verdade, minha fé só foi confirmada com as leituras que fiz na vida.”

Ela, não é apenas uma senhora qualquer, é uma Heideggeriana que conheceu Martin Heidegger. Teve o privilégio de presenciar seus seminários. Ler Heidegger e se identificar com o que ele escreve tem esse efeito nas pessoas.

A sensação de confirmação não se resume apenas pelo senso de adequação dos significados providos por sua obra, vai além. Melhor dizendo transcende (ultrapassa) as expectativas, pois no confirmar há uma fortificação do que se acredita e pode fazer acontecer, em suma, trata da fé.

Sem dúvida, com Heidegger aprendi a colocar manifesto os caracteres sub-reptícios do discurso de alguns.

Sem dúvida este é meu melhor motivo para citar tantas vezes Heidegger neste blog. Não só (con)firmar passos ao longo do caminho trilhado e das descobertas do dia a dia, mas também poder compartilhar e saber expressar isso. É a partir do expressar que se pode passear entre vários mundos, cada pessoa é um mundo, cada experiência pode ser capaz de mudá-lo.

A despretensão e o bom humor em lidar com tudo isso pode levar a uma descontração quebrando a seriedade de certos aspectos do viver. Nada melhor do que ter bom humor, como conteúdo para encarar tudo e todos a sua volta apresentado-se contrários e resistentes.

Afinal de contas, ter conteúdo importa, sobretudo, não para impressionar, mas para ampliar novos horizontes. Conversar com pessoas que possuem pontos de vista diferentes pode acrescentar algo, desde que não haja intransigência é sempre bem vindo.

Talvez, este espaço, em que me sirvo de reflexões, não reflita uma organização emocional ou financeira, enquanto sou um relez concurseiro. Entretanto, há pelo menos um luzir da imprevisibilidade das minhas circunstâncias. Sobretudo, pautada na espontaneidade das minhas concepções, abertas para novas experiências e formas de pensar. Servindo sempre para expandir o horizonte da arte que chamo de vida retratada neste blog.

Postado ao som de Bell X1 – How Your Heart is Wired