Posts Tagged ‘Vitória’

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Now the old king is dead! LONG LIVE THE KING !!

maio 2, 2009

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Saber Desfrutar Todos os Tempos

Nós mostramo-nos ingratos em relação ao que nos foi dado por esperarmos sempre no futuro, como se o futuro (na hipótese de lá chegarmos) não se transformasse rapidamente em passado. Quem goza apenas do presente não sabe dar o correcto valor aos benefícios da existência; quer o futuro quer o passado nos podem proporcionar satisfação, o primeiro pela expectativa, o segundo pela recordação; só que enquanto um é incerto e pode não se realizar, o outro nunca pode deixar de ter acontecido. Que loucura é esta que nos faz não dar importância ao que temos de mais certo? Mostremo-nos satisfeitos por tudo o que nos foi dado a gozar, a não ser que o nosso espírito seja um cesto roto onde o que entra por um lado vai logo sair pelo outro!

Séneca, em ‘Cartas a Lucílio’

Apesar de o Real Madrid já não ter a imagem de equipe do regime franquista e o Barcelona possuir uma dimensão mundial, no quadro que, todos os anos, emoldura o maior clássico do futebol espanhol, continuam vestígios de um tempo em que tais duelos eram, verdadeiramente, mais do que simples partidas de futebol, sobretudo, para o povo da Catalunha, que vê nas vitórias sobre o monstro de Madrid, um grito de revolta contra o poder central de Franco. Por isso, Cruyff dizia que enquanto no Ajax, quando ganhava lhe diziam parabéns, em Barcelona, quando tal sucedia frente ao Real, diziam-lhe obrigado!

Um sentimento aumentado quando a vitória era em Madrid, como em 17 de fevereiro de 1974 quando o holandês Johan Cruyff era o lider e alma daquele Barça participou da lendária goleada de 0-5, com três gols do mago holandês. o Técnico era Rinus Michels e a temporada 73/74. Sem dúvida um partido memorável que em 2 de maio de 2009 seria lembrado por tamanha façanha.

Todo técnico que se preza conta em seu trabalho com um partido que funciona como uma metáfora do futébol. Johan Cruyff também teve o seu no Barcelona x Dinamo de Kiev na copa da europa em 1993 placar de 4×1, tal partida ficou conhecida como a que capitalizou a essência do Dream Team. Frank Rijkaard e Ronaldinho Gaúcho alcançaram a plenitude com um 0 x 3 em cima do Real Madrid em 2005. Em tal jogo o Santiago Bernabeu aplaudiu de pé Ronaldinho Gaúcho.

O clássico, que representa um evento da humanidade, como é conhecido na Espanha, Real Madrid x Barcelona convida sempre aos extremos tanto pelo futebol apresentado, como por sua história de rivalidade esportiva e política.

Hoje dia 2 de maio de 2009 foi a vez de Pep Guardiola. Que transformou a fantasia do futebol transpassar a fé do que poderia ser possível acontencer em um Real Madrid x Barcelona. Pep em sua estréia como técnico no Bernabeu culminou sua grande obra mestra com um partido para ser recordado pelas próximas gerações, por demais histórico, orgásmico, sem dúvida alegórico com sua estética silenciosa, alçando o amor entre o Barcelona e o futebol em uma total correspondência entre a ilusão de um projeto e a realidade de vitórias deste conjunto.

Durante a semana confessou que poderia não ganhar nenhum título, mas que iria para cima de todas as equipes fosse quem fossem. No início com “esfuerzo, trabajo e dedicación” alimentava a sofrida auto estima de um time que ruiu depois de ser campeão da Europa. Hoje é capaz de riscar o céu, ou ao menos repetir o caminho de um Barça da temporada 2005/2006 que também ganhou de modo convincente no Bernabeu e culminou sendo campeão da Europa. Talvez, seja cedo para dizer que podem vencer a Liga dos Campeões, mas sem dúvida esta vitória mostra de novo o caminho para ser o melhor time da Europa.

Como disse no início da temporada o Barcelona terá um conjunto e não apenas algumas “estrelas”. Resulta impossível focalizar a exibição de hoje um só jogador, todos foram grandes diante de um Madrid que relutava em entregar os pontos.

Guardiola, em sua apresentação como técnico no passado mês de junho, pronunciou um discurso de refundação do Barça. Chegava ao fim a era das vedetes e dos egos: “Mi trabajo es hacer entender a los jugadores que solos no son nada. Con los compañeros, son todo. La única forma de que esto funcione es contar con un vestuario fuerte”. Forte é bondade sua, em uma equipe  foi monumental, inesquecível, solidária no esforço.

Hoje o F.C.Barcelona como disse Pep: “Hemos hecho muchos partidos con goleadas esta temporada. En algunos partidos hemos mantenido el nivel muy alto. Aquí solo había una manera de ganar, que era ser valientes. Tirar mucho a Casillas y ser atrevidos. Me alegro por haber sido valientes. Y después de perder 1-0 hemos cogido el balón y hemos ido a ganar”

Honra e glória ao Campeão que joga e fala a língua dos Deuses do futebol. O Barcelona se expressa como um grande poeta rumo a sua epopéia compreendida como um poema épico ou de longa narrativa em prosa, em estilo oratório, que exalta as ações, os feitos memoráveis de heróis históricos ou lendários que representam uma coletividade.

Sem dúvida um dia histórico onde houve superação de toda as expectativas de um jogo e da auto estima de uma equipe, bem como servirá de recordação as próximas gerações como um presente por nunca poder deixar de ter acontecido e servir de recordação. Hoje “la affición” Blaugrana mostra-se agradecida por tudo que foi dado a gozar nesta partida. Como nos tempos de Cruyff todos dizem:  OBRIGADO.

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Son molt anys plens d’afanys, son molts gols que hem cridat…

dezembro 14, 2008


Há um renovar-se de esperanças

Porque hoje é sábado.

Há uma tensão inusitada

Porque hoje é sábado.

Há a comemoração fantástica

Porque hoje é sábado.

E dando os trâmites por findos

Porque hoje é sábado.

Há a perspectiva do domingo

Porque hoje é sábado.

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, o Sexto Dia da Criação.

De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas

E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra

E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra

Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.

A tarde era está: sábado 19 de novembro de 2005 em pleno Santiago Bernabéu. A última vez que havia visto o Barcelona ganhar do Real Madrid. Um resultado espetacular todos corroboravam a façanha de Ronaldinho Gaúcho, aplaudido de pé pela torcida madridista. Um Gol feito a partir de uma arrancada do meio campo culminava na rede de Iker Casillas.

Desde então, o Barcelona afundou, seus cracks se contentaram apenas com o que já haviam ganho, logo em seguida a tão sonhada Champions. Não houve motivação, trabalho e esforço para se manter no topo. Os reis da Europa do ano de 2006 se contentaram apenas com este título e nada mais. O Real Madrid assumiu o seu lugar ganhando duas ligas seguidas. E, por último, massacrando o Barça, não só na Ciudad Condal, como também no Santiago Bernabéu com um passillo seguido de 4×1.

Perder para o Madrid, não é apenas perder uma partida, é falhar quando se chega o momento de decidir e não dar a cara para dizer o que se veio fazer. Há dias em que se ganha e outros que se perde é natural. Contudo, o sabor doce da vitória prepara um vigor na confiança. A confirmação do caminho a ser seguido.

Um Barça x Madrid em pleno sábado a noite, não é apenas uma noite de possibilidades, é o dia que la gent blaugrana espera o ano inteiro. É uma noite de paixão, alegrias, emoção, pranto, enfim uma mixórdia emocional indescritível. Há um confronto entre dois modos de vida, duas filosofias. Dar orgulho de ser Culé, não só nas derrotas, como nas vitórias sobretudo em cima do Madrid.

Foi na derrota do Barça que aprendi que la hazaña transciende a la suerte o la inspiración de una noche. Lembro bem desse domingo a tarde na casa de um namorado de uma amiga minha. Havia um ano e meio que não assistia um Barça x Madrid. Como todo jogo entre estas duas equipes, o Barça não podia ter perdido aquele jogo. Foi um claro indicativo de que as coisas não iam bem. A sorte Blau Grana havia desaprendido a ganhar, como bem entoa Nando reis em “Quem vai dizer tchau”.

Quando a sua própria sorte não sabe como ganhar as coisas vão muiiiiiiiiiito mal. Até o momento em que não se sabe deste detalhe, e logo em seguida a venda da ilusão cai. Aos olhos dos outros parece uma façanha ultrapassar aquele Barça de 19 de novembro de 2005. A sorte sem saber ganhar e qualquer inspiração para que as coisas transcorram do jeito que aconteciam parece impossível haver vitórias. E o que fazer então ?!?!?!

Lutar por lutar sem saber com que armas combater, não é tão efetivo quanto parece. É preciso mudar, passar a bola no meio das expectativas. E isso se faz com TRABALHO, ESFORÇO e DEDICAÇÃO. Quando Pep Guardiola assumiu o comando do Barça eu acompanhei toda a pré-temporada. E não imaginava que o Barça perdesse o primeiro jogo da temporada. Apenas fiquei com o pé atrás se esta fórmula seria suficiente para superar a façanha de não mais necessitar da sorte para ganhar. Picasso também disse: Se necessitas de la suerte, empiezas a trabajar.

Mais uma vez as coisas ocorrem em um processo contínuo e no tempo. O Barça foi crescendo a cada jogo durante esta temporada. E, então, chegou o dia de testar a sua filosofia de trabalho. E uma noite fantástica, com esforço e superação de dificuldades o Barça depois de 3 anos voltou a ganhar do Madrid. Resultado final 2×0.

Não foi apenas uma vitória, foi o expurgo da sorte superada por uma façanha e a comprovação do êxito na competência legada por ESFORÇO, TRABALHO e DEDICAÇÃO. A única promessa feita no início da temporada pelo técnico foi lutar com sua equipe até o final. Este sábado mostrou a luta de um Barça determinado a seguir seus ideais “Més que un Club”. Servindo de inspiração tal como nos tempos da guerra civil espanhola, realizando um foco de resistência a franco, ou permitindo que la Gent Blau Grana pudesse falar catalão em suas dependências.

Este Barça mostrou que vale a pena ter sido criado no sétimo dia da criação. Que a gama de obrigações que existe como escola, impostos e outros mais é um mero contra tempo. Tudo isso servindo a indizível beleza da superação e comprovação dos próprios planos escolhidos perante as vitórias. Este Barça inspira a superar o revés que de tempos em tempos a vida proporciona. Como Vinícius de Moraes:

Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos

Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas

Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade

Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo

E para não ficar com as vastas mãos abanando

Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança

Acredito veementemente, possivelmente, isto é, muito provavelmente o Barça ganhou do Madrid porque trabalhou duro e mais belo ficou porque era sábado.