Archive for the ‘Greys Anatomy’ Category

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Don’t Look Back into the Sun

março 31, 2009

Cirurgiões são problemáticos. Somos açougueiros.

Açougueiros problemáticos, felizes com uma faca.

Cortamos as pessoas e seguimos em frente.

Pacientes morrem sob nossos cuidados e seguimos em frente.

Causamos traumas. Sofremos traumas.

Não temos tempo para pensar em como o sangue,

morte e as besteiras nos faz sentir.

Não importa se somos fortes.

Traumas sempre deixam uma cicatriz.

Nos seguem até nossa casa.

Mudam nossas vidas.

Traumas derrubam a todos. Mas talvez essa seja a razão.

Toda a dor, o medo e as besteiras…

Talvez, viver isso é o que nos faz seguir adiante.

É o que nos impulsiona.

Talvez precisamos cair um pouco,

para levantar novamente.

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The Great Defector

março 19, 2009

Todo cirurgião que conheço tem uma sombra.

Uma nuvem negra de medo e dúvida que segue,

até os melhores de nós, à sala de cirurgia.

Fingimos que a sombra não existe.

Esperando que se salvarmos mais vidas…

aperfeiçoarmos técnicas difíceis…

corrermos mais rápido uma maior distância,

ela vai cansar e desistir de nos seguir.

Mas é como dizem…

Não pode escapar da sua sombra.

Todo cirurgião tem uma sombra.

É o melhor que tem?

E a única maneira de se livrar da sombra…

é apagar as luzes.

Parar de correr da escuridão, e encarar seus medos.

De frente.

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Deixa, deixa, deixa. Eu dizer o que penso dessa vida Preciso demais desabafar…

janeiro 11, 2009

Todos temos direito a pelo menos um desejo por ano,

quando sopramos as velas do nosso aniversário.

Alguns ousam desejar de outros jeitos.

Com cílios…

Fontes…

Estrelas cadentes.

E uma vez ou outra…

um dos desejos se realiza.

E depois?

É tão bom quanto esperávamos?

Ou deitamos no calor da nossa felicidade…

Ou…

Lembramos que temos uma lista de desejos esperando.

Não desejamos coisas fáceis.

Desejamos coisas grandes…

Coisas ambiciosas…

fora de alcance.

Desejamos por que queremos ajuda…

e estamos assustados…

e sabemos que talvez pedimos demais…

Ainda desejamos…

Porque…

às vezes…

eles se realizam.

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In the Midnight Hour

novembro 24, 2008

No Time To Sleep

Who’s gonna sing the song of change
If no one can imagine life outside the beaten track?
And who’s gonna stop a running train
If no one cares to dwell and no one wants to look back?

Somewhere along the line you gave up asking
When it got a little too complex
But if you don’t question what has been
Does it mean that you don’t care what’s coming next?

You’ve got no one to follow
And no one will follow you
Ain’t that a relief
That everything and everyone must grow in opposition
To resistance and contradiction,
This ain’t no time to go to sleep

This ain’t no time to go to sleep
This ain’t no time to go to sleep
This ain’t no time to go to sleep
This ain’t no time to go to sleep

So who’s gonna sing a song of faith
If no one prays for anything that can’t be bought and sold?
And who’s gonna tell a story straight?
Does anyone believe there’s still a story to be told?

Somewhere along the line you just stopped walking
When the undercurrent got too strong
Someday a lonely busker will come knocking
With a soft and long forgotten song

If you’ve got no one to follow
And no one will follow you
Ain’t that a relief
That everything and everyone must grow in opposition
To resistance and contradiction,
This ain’t no time to go to sleep

This ain’t no time to go to sleep
This ain’t no time to go to sleep
This ain’t no time to go to sleep
This ain’t no time to go to sleep

This ain’t no time to go to sleep
This ain’t no time to go to sleep
This ain’t no time to go to sleep
Oh this ain’t no time to go to sleep

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At night it was the bright of the moon with me Time is just floating away Oh rainy day, come ‘round But i love when you come over to the house I love it when you come ‘round to my house…

novembro 24, 2008

In The Midnight Hour.

Quando você é criança, a noite é assustadora

porque há monstros escondidos embaixo da cama.

Quando você cresce, os monstros são diferentes.

Dúvida.

Solidão.

Arrependimento.

Embora, seja mais velho e mais inteligente,

ainda se acha com medo do escuro.

(…)

Dormir.

É a coisa mais fácil de fazer. Você apenas…

Fecha os olhos.

Mas, para muitos de nós…

O sono parece estar fora de alcance.

Queremos, mas não sabemos como conseguir.

Mas quando enfrentamos nossos demônios,

enfrentamos nossos medos…

E recorremos ao outro por ajuda…

A noite não é tão assustadora, porque…

Percebemos que não estamos sozinhos, no escuro.

De tempos em tempos somos obrigados a decidir nossa vida. Escolhemos nossos amores, nossos amigos, a respectiva profissão e o que iremos fazer pelos próximos anos. Hoje ouvi a seguinte frase: “Não é fácil decidir a vida.”

De forma alguma o é. Pois, a vida trata de dar as suas voltas, e cada decisão tomada implica em levar prós e contras, escolher caminhos dos quais nem sempre se é como se imaginou que fosse. Nos vemos enfrentando dúvidas, arrependimentos por decisões tomadas e como se não bastasse ninguém pode decidir a vida de outra pessoa apenas estar ao lado para dar suporte. Ao tomar decisões tomamos sozinhos, somos nós mesmos que iremos enfrentar as consequências.

Dúvidas ao tomar decisões existe e sempre existirá. O que não pode acontecer em hipótese alguma é o caos instituir sua existência. Pois, o caos convidará a dúvida para dentro de tudo que se acredita e se pode fazer lutar. Durante estes dias, não existe monstro maior do que este. Duvidar que algo vai dar certo é natural ninguém possui o dom da predicação e da adivinhação. Mas ninguém pode perder o poder de reagir, de lutar e ter fé. Sem isso não há como sair do inferno das dúvidas.

Algumas vezes batemos de frente com essa luta sem saber que caminho tomar. Alguns não amadurecem, continuam a fazer escolhas inconsequentes das quais qualquer lógica é incapaz de aferir um significado plausível diante de uma compreensão mudana. Ou se conseguiram fazem de tudo para retomar o caminho de quando ainda não tinha tanta experiência. e responsabilidades, mas querem trazer consigo as conquistas propiciadas pela experiência. Alterna-se entre a vivência da independência com suas responsabilidades e o início dos 20 e poucos anos de total pouca responsabilidade, duas fases que nãos e coadunam e não permitem interferência uma da outra. Não é fácil deixar esta fase de transição por tudo que ela representa em suas possibilidades.

Os medos da infância se parecem em muito com o a fase adulta só que com uma nova roupagem. Não mudam em nada. Fernando Anitelli é muito feliz quando diz na música “EU não sei na verdade quem eu sou”: Velhinhos são crianças nascidas faz tempo. Só porque nosso sistema de recompensas neural na fase adulta já não é tão grande quanto na infância, o que coloca tudo numa nova perspectiva, não significa que os nossas possibilidades, em lidar com o que é humano, mudaram.

Como concurseiro tenho aprendido muito com as possibilidades. Cada prova é uma prova. Ricas em possibilidades para deixar os velhos monstros para trás. Cada dia de prova é uma experiência única durante as 12h do dia enfrento a maioria dos meus demônios que me assolam durante toda a preparação. O mais curioso é que anseio por tudo isso.

Na verdade cada noite é rica em possibilidades. Digo a noite, não por haver silêncio, ou render mais. Mas sim, pois no amanhecer que anuncia o dia ao iluminar a vida, as relações nela presente,
revela as escolhas feitas, as falhas naquele plano que parecia ser imbatível e até aonde tudo isso foi. E por incrível que pareça a única coisa que realmente arrefece este embate é uma boa noite de sono. Descansados se tem força para enfrentar novos desafios, sobretudo as quebras nas expectativas nos planos que foram traçados durante a noite.

Problema mesmo, é quando o dia não é suficiente para conter suas próprias preocupações. Sem pedir licença invade o meio da noite, o único momento em que se pode sentir que todas as coisas são possíveis. De fato dormir é algo tão simples, mas quando suas preocupações te tiram a segurança conquistada e deixa sua própria casa as coisas ficam realmente difíceis. O sono parece estar fora de alcance e promove sempre um embate entre o que realmente importa na hora de conseguir decidir a vida.

Talvez, por tudo isso seja muito difícil decidir a vida. Mas, hoje é uma nova noite cheia de possibilidades. Quem sabe, se não é o momento em que sendo tudo possível se possa ser como se é e reconhecer-se como tal.
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Comes and Goes (In Waves)

outubro 28, 2008

Sou uma pedra…

Sou uma ilha…

Esse é o mantra de quase todo cirurgião que já conheci.

Gostamos de pensar que somos independentes.

Solitários. Dissidentes. Que tudo que precisamos

para fazer nosso trabalho é uma S.O., um bisturi e um corpo.

Mas a verdade é que nem o melhor consegue sozinho.

A cirurgia, como a vida, é um esporte de equipe.

Eventualmente, você tem que levantar do banco e decidir:

em que time você joga?

O problema de escolher times na vida real

é que não tem nada a ver com a escolha da aula de ginástica.

Ser a primeira escolha pode ser aterrorizante.

E ser escolhido por último…

não é a pior coisa do mundo.

Então assistimos da lateral do campo.

Apegados ao nosso isolamento.

Pois sabemos que assim que saímos do banco…

Alguém chega e muda o jogo completamente.

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Come on, Come on. Put your hands into the fire

maio 19, 2008

 

O problema em ser residente é que você se sente louca o tempo todo.

Como se não dormisse há anos.

Passa todos os dias cercada por pessoas em crises imensas.

Você perde a habilidade de julgar o que é normal.

Em você, ou em qualquer outra pessoa.

Mesmo assim, as pessoas constantemente

pedem para contar como você está.

Como você pode saber?

Você nem sabe como está.

Não se pergunte por que as pessoas enlouquecem.

Se pergunte por que não enlouquecem.

Face ao que podemos perder num dia, num instante.

Se pergunte que diabos é isso…

Que nos faz manter a razão.